Dia Mundial do Animal Abandonado. União Zoófila explica como tenta travar uma realidade que continua a crescer

Nem só de adoções vive o impacto das redes sociais. Na União Zoófila, o TikTok tem-se revelado uma ferramenta eficaz para atrair voluntários e mitigar o problema.

O Dia Mundial do Animal Abandonado assinala-se a 15 de agosto e continua a ser um dos temas mais preocupantes. Em 2025, o Centro de Recolha Oficial (CRO) registou 40.098 animais recolhidos pelo País inteiro, um número que evidencia a dimensão do problema e a pressão constante sobre os serviços municipais. Embora não existam dados oficiais que indiquem quantos destes abandonos acontecem no verão, é tradicionalmente a época mais difícil.

Dia do Cão. Espreite as fotos mais fofas destes 13 famosos com os amigos de 4 patas
Dia do Cão. Espreite as fotos mais fofas destes 13 famosos com os amigos de 4 patas
Ver artigo

Para tentar contrariar esta realidade, várias associações dedicam-se ao resgate e à adoção responsável, alertando para a importância de proteger estes animais. É o caso da União Zoófila, uma das organizações mais antigas dedicadas a esta causa. Fomos tentar perceber como é que atua e, à MAGG, Liliana Branco, presidente da associação, e Rita Pagaimo, membro da mesa da assembleia e gestora das redes sociais, explicaram precisamente de que forma o seu trabalho se desenrola nesta área, especialmente numa era em que as redes sociais têm bastante impacto.

O verão costuma ser apontado como a altura do ano em que mais animais são abandonados em Portugal. Afinal, de acordo com dados da Guarda Nacional Republicana (GNR), entre julho e agosto de 2025, ocorreram 142 casos, que correspondem a 38,1% da taxa total anual de abandono. Contudo, a União Zoófila diz que essa realidade já mudou um bocadinho – para pior, diga-se. “Não posso dizer que, neste momento, seja mais no verão. Infelizmente é todos os dias”, afirma Liliana Branco, frisando que à associação chegam “centenas de pedidos por semana”.

O que é facto é que a União Zoófila recebe entre 100 e 200 animais por ano, sem contar com os que ficam em famílias de acolhimento. Com mais de 70 anos de história, a associação atua em várias zonas do País. Segundo afirma a responsável, recebe “apelos de todas as localidades” e faz “cada vez mais um apoio social, porque a maior parte das pessoas” que lhes pede ajuda é “alvo das alterações económicas, aumento do custo de vida, as dificuldades do arrendamento com animais”.

Para Liliana Branco, a raiz do problema está na “falta de responsabilidade”. Apesar de existir uma lei que criminaliza o abandono, a associação sublinha que raramente é aplicada, o que “dá liberdade às pessoas de usarem qualquer razão como argumento”, seja a falta de dinheiro, doença do animal ou o desemprego. Contudo, acredita que, se “a lei que criminaliza os maus-tratos fosse aplicada, se as pessoas tivessem realmente coimas, e se fossem realmente responsabilizadas, a quantidade de desculpas seria reduzida”.

Liliana Branco

É nas redes sociais que a União Zoófila tem vindo a apostar para tentar contrariar o cenário. Como explica Liliana Branco, o Facebook é usado para a angariação de donativos, uma vez que é mais direcionado para um público mais velho. Já o TikTok é essencial para chegar aos jovens. A presidente destaca que a plataforma tem sido eficaz para atrair voluntários, incluindo grupos de estudantes e escuteiros que ajudam nas campanhas de supermercado, na distribuição de flyers, por exemplo. O voluntariado pode ser feito a partir dos 16 anos, bastando preencher o formulário disponível no site da União Zoófila.

Apesar do sucesso das redes sociais na angariação de interesse, a União Zoófila garante que o processo de adoção é demorado: um questionário de 30 perguntas que funciona como filtro contra as decisões por impulso. Como explica Liliana Branco, “se for uma questão de impulso, a força vai-se perder ao longo deste processo, porque ele não é imediato, nunca”. Ainda assim, confirma haver casos de reincidência: “ainda a semana passada recebemos uma cadelinha que foi adotada na nossa associação e foi devolvida porque tem 13 anos e está incontinente”.

É Rita Pagaimo, membro da mesa da assembleia da associação, que explica que o foco está sempre em garantir que a decisão de adotar é ponderada e não impulsiva: “o ponto-chave vai ser sempre as pessoas serem o mais responsáveis possível ao tomar a decisão que estão a tomar, sem pressas”, afirma.

Rita Pagaimo

“Por isso não precisamos propriamente de fazer uma campanha, porque tem que passar aqui um bocadinho pelas pessoas e efetivamente quererem mesmo fazer uma adoção. Pode ser quase uma contra-campanha. Nós temos alturas em que não fazemos campanhas de adoção e divulgamos isso mesmo“, acrescenta Rita Pagaimo, ao ser questionada sobre as campanhas que a União Zoófila realiza ao longo do ano.

A mensagem que a associação deseja deixar às pessoas é que um animal requer “responsabilidades e que não é só para um momento que achamos que sim” – até porque, conforme lembra, “os custos dos médicos veterinários são um absurdo”. Isto significa que, se um animal ficar doente sem aviso, a par de alguma segurança financeira, as mudanças de vida têm de fazer parte dos planos, para não haver quaisquer surpresas.

Só depois de equacionada essa logística é que vale a pena pensar no resto, uma vez que, como acrescenta a presidente da União Zoófila, um animal “é para a vida toda”. “Vai estragar [coisas], ladrar, miar, ficar incontinente, vão-lhe sair os pulmões pela boca, vai acontecer tudo o que é horrível, e é isto que as pessoas têm que saber antes de aceitarem querer ter um animal. Se não aceitarem que isto vai acontecer, então efetivamente se calhar não vale a pena”, admite.

Fale connosco

Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado.
Scroll to Top