O sucesso “Cala-te Boca” chegou ao Rock in Rio Lisboa. “Nós brilhamos quando o convidado brilha”

Presentes nos quatro dias de Rock in Rio Lisboa, Zé Vida e Matilde Prata falaram com a MAGG sobre esta surpresa e o sucesso que “Cala-te Boca” tem vindo a conquistar. Saiba tudo.

É um fenómeno não só na rádio como também nas redes sociais – e, agora, no cartaz do Rock in Rio Lisboa 2026. O “Cala-te Boca”, podcast da Megahits que tem vindo a conquistar cada vez mais o seu espaço no digital, passou do estúdio para o palco num dos maiores festivais de Portugal e aproveitou a onda para se dar a conhecer ainda mais ao público, e uma coisa é certa: se o começo foi mais lento, o final de cada episódio deixava a sensação de que se queria muito mais. 

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Mas se não sabe o que é o “Cala-te Boca”, nós explicamos rapidamente. Apresentado por Zé Vida e Matilde Prata, este é um segmento da rádio lançado todas as quintas-feiras às 10 horas, e que junta os apresentadores a um convidado muito especial. No entanto, o conteúdo é sempre melhor que a embalagem: entre atores, influenciadores, comediantes ou personalidades da televisão, há sempre histórias por descobrir.

Agora, o formato subiu a fasquia e esteve, então, nos primeiros três dias de Rock in Rio Lisboa, e vai estar também no último dia, 28 de junho. “O primeiro pensamento foi pânico total, mas o segundo foi que ia correr tudo bem”, começou por dizer Zé Vida à MAGG. “Nós já temos algum tempinho disto então também estamos muito à vontade com a dinâmica um do outro, portanto eu pelo menos estava confiante de que ia correr bem”, disse, abordando o facto de a dupla fazer não só o “Cala-te Boca” juntos como também uma emissão diária. 

“Já o meu primeiro pensamento foi ‘como assim estão a confiar-nos isto’? Mas o segundo foi que ia ser muito giro. Isto está mesmo a ser muito giro, muito divertido para os dois e acho que o público, apesar de a hora ser relativamente cedo, está a fazer isto resultar”, acrescentou Matilde Prata. O horário era algo que, na verdade, poderia preocupar, uma vez que o “Cala-te Boca” no Palco Digital Stage está a acontecer às 13h40, mas nem isso está a fazer com que a diversão não aconteça.

“O horário não é muito convidativo, mas nós temos notado todos os dias uma adesão muito grande assim que abrimos a rubrica. Começamos o programa e vamos chamando as pessoas, o próprio público que começa a chegar ao festival apercebe-se que o ‘Cala-te Boca’ está a acontecer e acaba por se juntar”, disse Zé Vida. “É muito interessante porque quando entramos há uns dois ou três gatos pingados, mas depois a malta começa a vir assim devagarinho”, acrescentou Matilde Prata.

O sucesso do “Cala-te Boca” e a reação do público

Ora, a verdade é que, nos últimos anos, há quem diga que o “Cala-te Boca” serve para revelar todas as fofocas que o público quer saber sobre os famosos – no entanto, foi nesta entrevista que Zé Vida e Matilde Prata desconstruíram isso da cabeça aos pés. Seguros do seu trabalho e da maneira como conseguem deixar os convidados à vontade, o segmento não se faz apenas de cusquices sobre este ou aquele, mas também sobre temas que tocam a qualquer pessoa. 

“Acho que nós fomos percebendo ao mesmo tempo que o público que o ‘Cala-te Boca’ não é só um programa que vive de fofoca e de escândalo. Aliás, eu acho que esta nova versão tem o sucesso que tem precisamente porque nós conseguimos falar de temas que podem ser um bocadinho mais tensos para algumas pessoas, mas trazer um lado mais divertido e muito mais real da própria pessoa. Tanto eu como a Matilde não metemos constantemente os convidados em xeque, e acabamos por deixá-los confortáveis”, disse Zé Vida. 

Matilde Prata segue o mesmo pensamento, e não esquece, claro, quem veio antes desta dupla. “Importa sempre referir que isto é um formato muito antigo, criado originalmente por Rui Maria Pêgo, e que viveu muitas gerações e muitas Mega Hits diferentes. O que nós fizemos foi apenas ir buscar o sucesso que o programa teve, e não podemos mentir que o público em geral é curioso, mas a verdade é que nós deixamos sempre os convidados à vontade, e queremos sempre garantir que é uma coisa divertida”. 

No entanto, ambos admitem que o “Cala-te Boca” também serve para resolver algumas questões que tanto os convidados como o próprio público gostavam de ver esclarecidas. A verdade é que o pilar das fofocas nunca deixa de existir, e se for o próprio convidado a aceitar o convite para ter espaço para falar sobre determinado assunto, isso acaba sempre por deixar tanto Zé Vida como Matilde Prata mais seguros do seu trabalho – afinal, também eles são um espaço seguro e confiante para o convidado poder falar. 

“Enquanto animadores, estamos super gratos por estas pessoas se sentirem à vontade de falar, de confiarem em nós para se abrirem”, disse a jovem. “Uma coisa que nós temos sempre a intenção é perceber o que é que o convidado está ou não confortável para falar. A atenção que nós damos a isso torna a experiência mais agradável para os nossos convidados, e acaba por tornar a dinâmica muito mais leve e muito menos tensa”, acrescentou Zé Vida.

“Existe mesmo muito trabalho de casa. Eu acho que neste formato existe talvez 70% do trabalho de casa e 30% de improviso,  e no programa diário talvez seja mais ao contrário. O ‘Cala-te Boca’ é um formato que vive muito da pesquisa que nós fazemos sobre a pessoa, para tornar também a conversa mais rica possível”, disse ainda Matilde Prata. “Mesmo os próprios momentos espontâneos que acontecem só acontecem porque nós temos um trabalho de casa feito”.

A dupla de milhões que quer conquistar muito mais 

E como é que Zé Vida e Matilde Prata funcionam como dupla? Um é o caos e outro o control freak, mas é por isso mesmo que são uma dupla de vários milhões. “A Matilde, a nível da organização e da metodologia de trabalho, é a pessoa mais organizada que eu conheço, e na verdade está a ensinar-me muito nesse sentido. Eu sinto que sou muito mais caótico, mas se formos a falar de fofoca, se calhar eu sou o mais control freak, por isso é que nos balançamos bem”, disse o jovem. 

“Ele vive muito da espontaneidade, e nós para além do ‘Cala-te Boca’ fazemos programa diário juntos, então isso reflete-se em todo o lado. Fofocamos muito fora do trabalho, somos amigos, e o facto de eu ser organizada e ele espontâneo acaba por se complementar”, acrescentou Matilde Prata. “Sabemos muito bem aquilo que são os pontos fortes de cada um, e respeitamos muito isso para ajudar a dupla”. E a verdade é que ajuda, basta ver apenas um episódio deste tão grande sucesso. 

Por isso mesmo é que o objetivo é que continue a ajudar durante muito mais tempo, e que Zé Vida, Matilde Prata e o “Cala-te Boca” continuem a conquistar cada vez mais público – e um público consciente, que sabe reconhecer a humanidade nos convidados e nas perguntas feitas. “Acima de tudo, espero que o público perceba que só porque trazemos um programa que podia cair numa bolha de fofoca, isso não quer dizer que perdemos o lado humano pelo convidado. Nós brilhamos quando o convidado brilha”, rematou o jovem. 

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