Peptídeos voltaram a estar em todo o lado. Mas o que fazem realmente à pele?

Estão em séruns, cremes e até produtos para os lábios. Os peptídeos voltaram ao centro do skincare — mas nem todas as promessas são iguais.

Há ingredientes de beleza que desaparecem durante anos e regressam de repente como se fossem novidade. Os peptídeos são um desses casos — e em 2026 voltaram a estar em todo o lado. Séruns, cremes de rosto, produtos para os olhos e até fórmulas para os lábios estão a apostar nestas pequenas cadeias de aminoácidos, muitas vezes acompanhadas de promessas de pele mais firme, hidratada e com menos rugas. Mas afinal, o que são os peptídeos e porque é que voltaram a ser uma das palavras favoritas da indústria de skincare?

De forma simples, os peptídeos são pequenas sequências de aminoácidos, os componentes que formam proteínas importantes da pele, como o colagénio e a elastina. Dependendo da sequência e do tipo de peptídeo, podem desempenhar funções diferentes e são usados em cosmética com objetivos como apoiar a firmeza da pele, suavizar linhas finas ou ajudar a melhorar a hidratação. A Harper’s Bazaar sublinha precisamente que não existe “um” peptídeo: existem diferentes famílias e cada uma pode ter uma função distinta.

E a obsessão não é apenas marketing. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2026 analisou 19 ensaios clínicos, com 1.341 participantes, e encontrou melhorias sobretudo na hidratação e luminosidade da pele, além de um efeito mais modesto na redução de rugas. Os investigadores, porém, alertam que os resultados sobre elasticidade e densidade ainda são inconsistentes e defendem estudos maiores e mais padronizados. Ou seja: há razões para levar os peptídeos a sério, mas não são uma espécie de Botox num frasco.

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Aliás, esta é precisamente uma das diferenças entre a tendência atual e algumas das promessas mais agressivas que acompanharam estes ingredientes no passado. A literatura científica continua a apontar limitações importantes: um peptídeo pode funcionar bem em laboratório e, ainda assim, ter dificuldade em penetrar suficientemente na pele ou manter-se estável dentro de uma fórmula cosmética. Uma revisão científica sobre peptídeos tópicos refere precisamente que a absorção e a qualidade da formulação são determinantes.

Ainda assim, isso não travou o regresso em força. A “Harper’s Bazaar” escreveu já que os séruns com peptídeos estão a surgir “em todo o lado”, enquanto a “Allure” continua a incluir estes ingredientes entre os ativos procurados em produtos destinados a firmeza, hidratação e sinais de envelhecimento.

Há também uma razão prática para o entusiasmo: ao contrário de ativos mais agressivos, como alguns retinoides ou ácidos, muitos produtos com peptídeos são formulados para utilização diária e podem encaixar facilmente numa rotina simples. A regra, portanto, é esta: não compre apenas porque diz “peptídeos” no rótulo. Importa perceber que peptídeos contém, em que concentração, que outros ingredientes acompanham a fórmula e qual é o objetivo real do produto. Porque, em skincare, a palavra da moda pode mudar todos os anos. A fórmula é que continua a fazer a diferença.

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