Bruno Gonçalves, eurodeputado socialista de 29 anos, criou um movimento para combater a polarização e o discurso de ódio no mundo digital. Chama-se Bora e já começou a levar o debate sobre estes temas a escolas do norte ao sul do País com Kiko is Hot, Tomás Taborda e Wandson Lisboa entre os porta-vozes.
“O movimento Bora é um grande convite para conseguirmos falar e voltar a conversar sobre opiniões e pontos de vista diferentes, sem que isso signifique partir para o ataque pessoal, ou dividir entre o bom e o mau. Bloquear ou ignorar não pode ser a primeira reação que temos a quem discorda de nós, então temos de voltar a construir o chão comum da sociedade para garantir que o ódio não tem espaço na nossa sociedade”, explica Bruno Gonçalves, em entrevista à MAGG.
Apesar de abraçar e combater as diferenças, o movimento aponta algumas linhas vermelhas. “Neste debate não há espaço para desrespeitar o outro, para o insulto ou difamação gratuita, mas sim para o respeito, dignidade humana e a liberdade."
Segundo o eurodeputado, a ideia é “não perder o mínimo de humanidade que nos resta”, e rumar por um caminho contrário a outros movimentos de debate já existentes que “querem explorar a contradição e a divergência para depois colocarem a audiência a posicionar-se do lado A ou B”. O novo movimento pretende fazer o oposto e provar que os dois lados podem existir, ser ouvidos e debatidos de forma calma e racional, e não impulsiva para mostrar quem está certo ou errado.
Assim, o Bora afirma-se como um “movimento cívico e pedagógico”, de caráter suprapartidário, nascido “de uma preocupação enquanto cidadão”, com o objetivo de criar espaços de debate entre os mais jovens, lê-se em comunicado. Segundo o eurodeputado, o aumento da polarização na sociedade é um dos temas mais atuais e urgentes de combater e por isso, não havia melhor altura para agir.
“A crescente digitalização leva-nos muitas vezes a exprimir opiniões, às vezes impulsos que não são opiniões refletidas, de uma forma que não o fazemos quando temos uma pessoa à nossa frente. Portanto, a grande necessidade é de conversar, não só no mundo real mas também na esfera digital, garantido que a polarização de opinião não tem de ser vista necessariamente como uma coisa má a ser explorada por algoritmos para nos colocar uns contra os outros, mas podem ser pontos de partida de debate”, complementou.
Desta forma, o Bora está a percorrer o País de norte a sul para levar o debate às escolas secundárias entre esta segunda-feira, 20 de abril, e sexta-feira, 24. Cada sessão contará com a presença de um porta-voz do movimento que reúne pessoas de diferentes áreas e espectros políticos, desde influencers a deputados na Assembleia da República.
Talvez haja a ideia de que os debates têm um caráter adulto e não juvenil, mas o Bora considera que é pela camada mais jovem que se deve começar a agir, tendo em conta que acabam por ser “os maiores consumidores de informação” e os que estão mais expostos ao mundo digital.
“Muitas vezes temos ideias pré-concebidas sobre os jovens que estão nas redes e quando os confrontamos com isso, temos resultados bem diferentes do que estávamos à espera”, afirma Bruno Gonçalves.
No que toca à escolha dos temas, o movimento seguiu as recomendações das escolas, bem como os interesses dos jovens, entre eles a emigração, o cancelamento digital, relacionamentos tóxicos, a forma de interação nas redes sociais e a saúde mental.
A iniciativa tem nove sessões marcadas para este mês, que já começaram no Porto, na Escola Secundária João Gonçalves Zarco, com o chef Rui Paula, em Braga, na Escola Secundária Carlos Amarante, com a atriz Benedita Pereira, em Aveiro, na Escola Secundária José Estêvão, com o influencer Wandson Lisboa e em Coimbra, na Escola Secundária José Falcão, com o ator Tomás Taborda.
As próximas sessões decorrem em Leiria, na Escola Secundária Domingos Sequeira, com a deputada Eva Cruzeiro, seguida por Tomar, na Escola Secundária Jácome Ratton, com Eva Brás Pinho, deputada da Assembleia da República Portuguesa pelo PSD, Santarém, na Escola Secundária Benavente, com o cantor Agir e em Sintra, na Escola Secundária Santa Maria, com a analista política Maria Castello Branco. Os debates terminam no Seixal, na Escola Secundária Dr. José Afonso, com o influencer Kiko Is Hot.
Todos os debates serão publicados no YouTube e no Spotify, bem como nas redes sociais do projeto. Com uma segunda edição de debates já programada, o Bora tem a ambição de chegar ainda mais longe. “Não queremos ter um movimento só nas escolas. Queremos ter um movimento que seja verdadeiramente o novo ‘cool’, que a tolerância seja o novo ‘cool’no espaço digital”.