A artista e a restante equipa foram condenados por ofensa à moral pública, violação da lei islâmica e produção, envio, distribuição e publicação de conteúdos classificados pelas autoridades como “vulgares e imorais”.
Parastu Ahmadi, cantora iraniana de 29 anos, fez um concerto em Deir Gachin, na província de Qom, que não durou mais de meia hora. Contudo foi o suficiente para ser condenada pelo tribunal do Irão. Descrito pelos membros da organização como “simbólica e privada”, o concerto foi transmitido em direto através do canal YouTube da cantora e não passou despercebido.
A cantora decidiu fazer o concerto sem o véu islâmico, mais conhecido como hijab, o qual é obrigatório por lei em espaços públicos desde 1981, sendo exigido que o cabelo esteja coberto e o uso de roupas largas.
Além do cabelo descoberto, Parastu Ahmadi estava a usar um vestido preto de alças. No que toca ao nome do vídeo, o mesmo tem um detalhe que pode passar despercebido a muitos, mas que também foi uma forma de protesto. O concerto tem o título de “Um Concerto Imaginário”, o que é uma referência à proibição que impede mulheres de atuarem sozinhas em espaços públicos no Irão.
A divulgação do espetáculo, realizado a 11 de dezembro de 2024, levou à abertura de um processo judicial contra a artista e os restantes participantes, entre eles membros da equipa de produção e músicos que estiveram envolvidos na gravação do espetáculo, que alcançou quase três milhões de visualizações.
Parastu Ahmadi e oito músicos foram condenados pelo tribunal iraniano a 74 chicotadas, bem como a dois anos de proibição de viajar e dois anos de interdição de atividades pela participação num concerto em que não cumpriram as normas islâmicas.
Os arguidos foram considerados culpados de várias acusações, como “ofensa à moral pública” por violação da lei islâmica e “produção, envio, distribuição e publicação” de conteúdos descritos pelas autoridades como “vulgares e imorais”.
O Ministério Público de Teerão formalizou a acusação no final de dezembro de 2024 e, passado pouco tempo da detenção, a cantora e os restantes arguidos foram libertados sob fiança, segundo a organização não-governamental HRANA.
O acontecimento surge no seguimento de uma onda de revolta contra a morte de Mahsa Amini, que foi detida por alegadamente não usar o véu islâmico corretamente, o que desencadeou uma das maiores vagas de protestos das últimas décadas contra as autoridades iranianas.
