A preocupação começou em Espanha e já se alastrou. Vários adolescentes entre os 11 e os 14 anos deram entrada no Hospital Materno-Infantil de Málaga nas últimas semanas com os mesmo sintomas, e o padrão alertou as equipas médicas para algo que está a acontecer nas redes sociais: o desafio do paracetamol. As crianças, segundo o jornal "El País", chegaram com sintomas de ingestão de grande quantidades deste comprimido, o que obrigou à hospitalização de alguns durante vários para tratamento.

Desafio nas redes sociais provoca queimaduras graves a criança de 9 anos (e não o único caso). Saiba tudo
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E o que é este desafio? Ao que tudo indica, de acordo com a SIC Notícias e o jornal espanhol, esta é uma competição que está a atrair adolescentes de todo o mundo, sendo já popular nos EUA, França, Alemanha, Suíça, Argentina e tantos outros países. O desafio baseia-se em ingerir de forma intencional doses excessivas de paracetamol, e quem aguentar mais tempo sem precisar de ir ao hospital, é o vencedor. Isto, claro, gerou preocupação no meio das unidades hospitalares, uma vez que há quem esteja a ingerir 10 gramas de uma só vez.

Ao "El País", o professor de farmacologia clínica na Faculdade de Medicina da Universidade de Málaga Antonio García Ruiz explicou que a dose tóxica começa "a partir de quatro gramas por dia", pelo que o desafio tem sido bastante preocupante. "Se ingerir mais de quatro gramas de paracetamol já é tóxico, com oito gramas pode ser mortal. E não é algo que se note no mesmo dia em que se toma. Passam dois ou três dias e então o fígado falha, a pele fica amarela, surgem dores musculares, de cabeça ou vómitos", explicou.

Já Francisco Goiana da Silva, médico e comentador da SIC, explicou que o paracetamol é um comprimido "extremamente acessível" à população, e que se pode mesmo tornar bastante prejudicial quando tomado em quantidades elevadas. "O paracetamol é uma droga, só que muito mais acessível do que outras", alertou, explicando que os governos têm de ser responsabilizados. "As redes sociais estão a ser usadas para disseminar comportamentos lesivos à saúde e colocam a saúde das crianças e dos adolescentes em risco. É importante, de uma vez por todas, haver uma consciencialização por parte dos governos".