De acordo com a lista provisória de credores, Jacques Rodrigues acumula dívidas que ascendem a 36,7 milhões de euros.
O Tribunal da Relação de Lisboa confirmou a insolvência pessoal de Jacques Rodrigues, 86 anos, empresário conhecido como o “barão da imprensa cor-de-rosa” e proprietário do grupo Impala. A decisão, tomada no final de maio, rejeita o recurso apresentado pelo empresário contra a sentença de insolvência decretada em primeira instância, em dezembro de 2024.
Segundo o acórdão, os juízes consideraram que “nada foi alegado que permita a revogação da sentença recorrida”, mantendo assim a decisão que reconhece a situação de insolvência pessoal do empresário, escreve o “Correio da Manhã”.
O processo foi desencadeado pela Ares Lusitani, sociedade especializada na aquisição e gestão de créditos, que reclama o pagamento de uma dívida de cerca de 1,2 milhões de euros. O valor resulta de um crédito inicialmente concedido pelo Novo Banco à Impalagest, empresa do grupo Impala, e do qual Jacques Rodrigues é avalista.
Na tentativa de reverter a decisão, o empresário argumentou que já existiam bens penhorados suficientes para garantir o pagamento da dívida e que, por isso, o processo de insolvência não seria o mecanismo adequado para satisfazer o crédito. Alegou ainda possuir um ativo superior ao passivo e não se encontrar numa situação de insolvência efetiva.
Contudo, o Tribunal da Relação não acolheu estes argumentos. De acordo com a lista provisória de credores, Jacques Rodrigues acumula dívidas que ascendem a 36,7 milhões de euros.
Entre os ativos associados ao empresário encontra-se uma moradia na Quinta da Marinha, em Cascais, avaliada pelo BPI em cerca de sete milhões de euros. O imóvel foi dado como garantia no âmbito de um acordo celebrado entre Jacques Rodrigues e a Ares Lusitani, em dezembro de 2021. Além desta propriedade, foram também hipotecados uma moradia em Casével, no concelho de Santarém, e um imóvel localizado em Albufeira, como forma de assegurar o pagamento da dívida.
A situação judicial de Jacques Rodrigues agravou-se em março de 2023, quando o Ministério Público e a Polícia Judiciária realizaram buscas no âmbito de um inquérito que investiga alegadas manobras de ocultação e dissipação de património em prejuízo dos credores do grupo Impala.
As suspeitas incidem sobre a alegada dissipação de património avaliado em quase 100 milhões de euros. O empresário foi constituído arguido nesse processo, que continua em investigação.
A decisão inicial de insolvência foi fundamentada pelo tribunal de primeira instância na falta de liquidez suficiente para que Jacques Rodrigues pudesse cumprir atempadamente as suas obrigações financeiras. Agora, com a confirmação da Relação de Lisboa, a insolvência pessoal do empresário mantém-se em vigor.
O que se passa com a Impala?
O grupo Impala, proprietário de revistas como “TV7 Dias” e “Nova Gente”, foi fortemente afetado pela crise do mercado das revistas impressas, pela quebra das vendas em banca e pela redução das receitas publicitárias. Além das dificuldades do setor, várias empresas ligadas ao universo Impala acumularam dívidas significativas junto da banca. Foi precisamente um crédito concedido à Impalagest, empresa do grupo, que acabou por estar na origem do processo que levou à insolvência pessoal de Jacques Rodrigues enquanto avalista.
Apesar destes problemas, a Impala continua a existir e algumas das suas publicações mantêm-se em circulação. O que está em causa atualmente é sobretudo a situação financeira do grupo e a responsabilidade pessoal do seu fundador e principal acionista perante os credores.
A Impala continua a publicar várias das suas marcas históricas, apesar das dificuldades financeiras e dos processos de insolvência. A própria loja oficial da editora mantém ativas assinaturas e edições em papel e digital de várias revistas.
