Fortes explosões, acompanhadas por sons semelhantes a aeronaves a sobrevoar a cidade, acordaram Caracas na madrugada deste sábado, 3 de janeiro, num cenário de forte tensão na Venezuela. Os ataques terão sido ordenados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e tiveram como alvo infraestruturas militares ligadas ao regime de Nicolás Maduro, refere o "Correio da Manhã".
De acordo com fontes do governo norte-americano, Donald Trump deu luz verde à ofensiva há vários dias, numa escalada que surge depois de o presidente dos EUA ter admitido a possibilidade de ataques terrestres e afirmado que os dias de Nicolás Maduro “estavam contados”, refere a CBS,. Até ao momento, a Casa Branca não emitiu qualquer comunicado oficial.
O Ggverno venezuelano reagiu rapidamente, denunciando uma “gravíssima agressão militar” e decretando o estado de emergência em todo o país. Em comunicado oficial, as autoridades confirmaram ataques em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Há também relatos de falhas de eletricidade em várias zonas após as explosões.
As explosões foram ouvidas por volta das duas horas da manhã locais (6 horas em Lisboa), com vários moradores a relatar voos de aviões militares, segundo um jornalista da agência France-Presse, citado pelo "CM". Entre os locais atingidos estarão a base aérea de La Carlota e o Forte Tiúna, a principal instalação militar da capital.
Entretanto, Donald Trump afirmou, através de uma publicação na rede social Truth Social, que Nicolás Maduro e a mulher terão sido capturados e levados para fora da Venezuela, descrevendo a ofensiva como “um ataque em larga escala contra a Venezuela e o seu líder”. O presidente norte-americano acrescentou ainda que a operação foi realizada em conjunto com forças de segurança dos Estados Unidos.
A nível internacional, o presidente da Colômbia já reagiu aos acontecimentos, apelando a uma intervenção imediata das Nações Unidas. Em Portugal, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, está a acompanhar a situação “em articulação com o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros”, segundo uma nota divulgada pela Presidência.
Uma fonte do governo português disse à Lusa que Portugal está a acompanhar a situação “ao minuto”, escreve o "Correio da Manhã", mantendo contactos com a embaixada em Caracas e com vários governos europeus.
Entre a comunidade portuguesa na Venezuela, o clima é de medo e incerteza. Portugueses residentes em Caracas relataram à agência noticiosa receios de um agravamento da violência e da crise humanitária, tal como escreve a mesma publicação. “A simples presença e o ruído dos aviões causam preocupação. Mas hoje fomos acordados com explosões em pelo menos sete pontos da capital”, contou um cidadão português.