Uma investigação revelou um histórico sombrio de lesões cerebrais traumáticas, hospitalizações e mortes associadas à famosa atração do parque, que continuou a funcionar apesar dos sucessivos avisos. Entenda.
No espaço de menos de uma semana, cirurgiões de um hospital no Sul da Califórnia correram para o bloco operatório para salvar a vida de duas mulheres com hemorragias cerebrais graves. Não tinham sofrido um acidente de viação nem uma queda violenta, mas ambas tinhas acabado de andar na X2, a famosa montanha-russa do parque Six Flags Magic Mountain, em Valencia na Califórnia, EUA.
O cenário dramático não é um caso isolado. Segundo uma investigação conduzida pela CNN, foram identificados mais de uma dúzia de episódios de lesões cerebrais graves ao longo de quase duas décadas associados a esta atração de “quarta dimensão”, cujos assentos rodam 360 graus a quase 129 km/h. O histórico de acidentes recolhido pelo canal acumulou internamentos em coma, sequelas irreversíveis e pelo menos duas mortes confirmadas.
Entre as vítimas mortais encontra-se Christopher Hawley, um jovem de 22 anos que, em 2022, sofreu uma hemorragia cerebral fatal horas após andar na diversão. O neurocirurgião que o atendeu comparou os danos causado à “síndrome do bebé abanado”.
A investigação revelou, com base em documentos internos do parque, que a empresa já tinha recebido mais de 70 queixas de lesões na cabeça e pescoço nos três anos anteriores à morte do jovem. A primeira morte registada remonta a 2010, quando Hilda Farias, de 28 anos, sofreu a rutura de um vaso cerebral na atração.
Apesar dos alertas contínuos de médicos, advogados e das queixas de utilizadores em fóruns digitais, que aconselhavam estratégias para evitar contusões, a atração permaneceu operacional.
Conforme apurou a CNN, a Six Flags e as autoridades reguladoras estaduais permitiram a reabertura sucessiva do divertimento após inspeções baseadas em relatórios fornecidos pelo próprio parque, sem depoimentos de testemunhas ou médicos.
Os peritos consultados pelo canal de televisão alertaram que o design da atração pode expor o cérebro a forças extremas de aceleração e desaceleração. Pamela Guillen, de 40 anos, e Naomi Greer-Wilkinson, de 25 anos, foram as vítimas mais recentes da sequência de emergências registada em julho.
Pamela Guillen sobreviveu após ter parte do crânio removida, mas enfrenta ainda um longo processo de reabilitação motora e cognitiva. Naomi Greer-Wilkinson permanece em estado crítico, em coma e associada a suporte de vida.
Perante as mais recentes ocorrências expostas na investigação da CNN, a Six Flags acabou por encerrar a X2 temporariamente, recusando-se a prestar esclarecimentos detalhados sobre as falhas de segurança.
Enquanto o parque tem alegado em tribunal que os visitantes assumem os riscos inerentes às atrações radicais, as famílias das vítimas e os médicos exigem o encerramento definitivo e respostas concretas das autoridades.
