A mulher disse que “fez aquilo ao bebé porque ele era o ‘diabo’ e o ‘anticristo’”, pode ler-se em documentos judiciais. Um vizinho fez de tudo para salvar a criança, mas a mesma não resistiu.
Uma pacata rua de Frankfort, no estado norte-americano de Illinois, transformou-se num cenário de crime. Corie A. Walsh, de 40 anos, foi detida e acusada do domicídio do próprio filho, Barret Walsh, de apenas 2 anos.
O menino foi encontrado enforcado na cave de casa na passada terça-feira, 1 de setembro, enquanto a mãe tentava tirar a própria vida na casa de banho do andar de cima.
As autoridades locais foram alertadas pouco depois das 16 horas para a presença de uma criança inconsciente. À chegada, os agentes encontraram um vizinho a tentar desesperadamente reanimar o menino, que tinha sido descoberto suspenso numa viga da cave por uma corda.
Apesar dos esforços do vizinho e da rápida transferência para o Hospital Silver Cross, a morte foi declarada às 16h48. A autópsia veio agora confirmar a morte por asfixia provocada por compressão do pescoço, de acordo com a CBS News.
No piso superior, os agentes encontraram a suspeita completamente vestida dentro de uma banheira cheia de água com sangue, apresentando cortes profundos nos pulsos e nas coxas.
O mesmo vizinho que tentou salvar a criança revelou ter retirado uma faca das mãos de Corie A. Walsh para impedir que esta continuasse a automutilar-se. A mulher sobreviveu aos ferimentos e encontra-se sob custódia médica e policial. Outras três crianças que se encontravam na residência saíram ilesas.
Já no hospital, Corie Walsh justificou a atitude perante as autoridades afirmando que “fez aquilo ao bebé porque ele era o ‘diabo’ e o ‘anticristo’”, lê-se nos documentos judiciais do processo.
De acordo com testemunhas e documentos do processo, citados pela CBS News, Corie A. Walsh estava “profundamente obcecada” pelo caso de Lindsay Clancy, a ex-enfermeira obstétrica de Massachusetts acusada de ter estrangulado até à morte os seus três filhos (Cora, de 5 anos, Dawson, de 3 anos e Callon, de 8 meses) em janeiro de 2023, antes de se atirar de uma janela numa tentativa de suicídio que a deixou paraplégica.
Apenas três horas e meia antes de matar o filho, por volta das 12h30 do próprio dia do crime, Corie A. Walsh esteve reunida com um grupo de amigas a discutir ativamente os contornos e o desfecho do julgamento de Lindsay Clancy.
O crime em Illinois coincidiu com um momento de forte dramatismo em redor do próprio caso de Lindsay Clancy. O julgamento da ex-enfermeira de 36 anos, que começou em julho, terminou esta sexta-feira, 4 de julho, sem um veredicto, depois de o juiz ter declarado o processo nulo devido à incapacidade de os 12 jurados alcançarem uma decisão unânime.
Após sete dias e quase 40 horas de deliberação intensas, o júri ficou irremediavelmente bloqueado. Em entrevista televisiva à NBC10, três juradas que quebraram o silêncio revelaram que 11 dos 12 membros do painel estavam prontos para declarar Lindsay Clancy “não culpada por incapacidade psíquica” (psicose pós-parto), mas a oposição irredutível de um único jurado masculino impediu a absolvição.
“Foi doloroso e um autêntico carrossel emocional. Tudo provava que ela amava os filhos e que teve um surto no qual perdeu a noção do certo e do errado”, revelou a porta-voz do júri, uma professora reformada, visivelmente emocionada.
Com a anulação do julgamento de Lindsay Clancy, resta agora saber se o Ministério Público norte-americano voltará a levar a ex-enfermeira a um novo tribunal ou se chegará a um acordo com a defesa. Entretanto, em Illinois, o caso de Corie A. Walsh promete reabrir o debate sobre a saúde mental e o impacto mediático de crimes familiares de extrema violência.

