O governo espanhol está a preparar-se para legislar sobre o chamado sharenting, a prática de pais e mães partilharem fotografias, vídeos e informações pessoais dos filhos nas redes sociais. A medida, em elaboração pelo Ministério da Juventude e Infância, liderado por Sira Rego, pretende proteger os menores da sobreexposição digital e das respetivas consequências psicológicas e sociais, diz a RTVE.

De acordo com o ministério, a partilha constante da vida das crianças online pode afetar o seu desenvolvimento, autoestima e bem-estar, criando um rasto digital difícil de apagar. O governo espanhol considera "imprescindível" regular a presença de menores em plataformas do género, uma vez que muitas dessas publicações são feitas sem o consentimento dos próprios filhos.

A proposta de lei será colocada em consulta pública nos próximos dias e inclui medidas para restringir o uso da imagem de menores em conteúdos com fins comerciais ou promocionais. Em Espanha, tem-se verificado um aumento de contas nas redes sociais nas quais os pais transformam os filhos em fontes de rendimento, partilhando o quotidiano familiar em troca de visualizações e patrocínios.

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O governo alerta ainda para o risco de essas imagens serem usadas em contextos de ciberbullying ou mesmo em redes de pedofilia. Isto porque, diz a RTVE, 72% do material apreendido pelas autoridades em investigações deste tipo provém de fotografias "inocentes" de crianças publicadas pelos próprios pais.

Segundo a mesma publicação, que cita dados oficiais, cerca de 23% das crianças espanholas já têm presença online antes mesmo de nascerem, através de ecografias, vídeos e publicações pré-natal. Para o governo espanhol, o objetivo da nova legislação passa por devolver às crianças o controlo sobre a sua imagem e garantir que a sua identidade digital não é decidida por algoritmos ou pelos adultos.