Oura Ring. Multinacional dos anéis inteligentes dos influenciadores processada por inventar fases do sono. Saiba tudo

Uma ação coletiva nos EUA acusa a marca do famoso anel de vender “interferência de IA duvidosa” sobre o descanso dos utilizadores, pondo em causa os níveis de precisão prometidos.

Oura Ring

O Oura Ring tornou-se um dos wearables de saúde e bem-estar mais cobiçados do mercado, prometendo aos utilizadores um acompanhamento ao pormenor da qualidade do sono, desde as fases de sono profundo até ao ciclo REM (fase do ciclo do sono em que o cérebro fica muito ativo e ocorrem a maioria dos sonhos vívidos).

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Em Portugal, o dispositivo ganhou particular visibilidade nas redes sociais, onde a influenciadora Helena Coelho se tornou uma das suas utilizadoras e defensoras mais conhecidas, mostrando frequentemente no Instagram as métricas do seu descanso.

No entanto, a reputação da marca acabou de ser colocada em causa nos tribunais norte-americanos. A Clarkson Law Firm (um escritório de advocacia norte-americano focado no interesse público e em ações coletivas) deu entrada com uma ação coletiva no Tribunal Distrital do Norte da Califórnia contra a Oura Health, de acordo com a “PPLWare”.

O processo, movido em nome da consumidora Madison Surber, que investiu cerca de 470€ num Oura Ring 4 Gold, acusou a empresa de promover “adivinhação disfarçada de ciência”.

A tese central da acusação é simples: para medir com rigor as diferentes fases do sono, é indispensável monitorizar a atividade elétrica cerebral, os movimentos oculares e o tónus muscular, exames que exigem elétrodos no couro cabeludo, no queixo e junto aos olhos, como acontece nos testes clínicos de polissonagrafia.

Em alternativa, o dispositivo capta apenas indicadores indiretos, como a frequência cardíaca, a temperatura cutânea, o movimento e os níveis de oxigénio no sangue.

A queixa sustenta que estes dados são depois processados por algoritmos de Inteligência Artificial para fazer guesswork (trabalho de adivinhação) sobre o estado de descanso da pessoa, aproveitando-se da preocupação dos consumidores com a saúde para vender “ciência fiável” que na realidade não existe.

O processo apoia-se ainda num estudo de 2025 publicado na revista “Scientific Reports”, no qual testes realizados a 45 participantes num hospital universitário mostraram que a precisão do anel a identificar as quatro fases do sono foi de apenas 53,18%.

O número contrasta com os 79% a 95% de precisão clínica frequentemente anunciados nas campanhas de marketing do Oura Ring. A queixa, contudo, desmitifica apenas o rastreio do sono, não pondo em causa métricas diretas como a leitura da frequência cardíaca ou da temperatura corporal, segundo a mesma publicação.

Em reação às acusações, a Oura garantiu continuar a defender “a sua ciência, investigação e alegações de precisão”, sublinhando o compromisso de explicar com clareza aos utilizadores o que o dispositivo “mede, o que estima e como interpretar essa informação”, prometendo contestar o processo no fórum legal.

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