O encontro oficial no Palácio de Holyroodhouse tinha como objetivo apoiar a literatura infantil, porém a data escolhida para a publicação gerou alguma polémica devido ao historial de comentários transfóbicos da autora de “Harry Potter”. Entenda.
A rainha Camila voltou a estar no centro de uma polémica no Reino Unido após a publicação de uma fotografia oficial ao lado da autora J.K. Rowling. O encontro, que aconteceu no Palácio de Holyroodhouse, na Escócia, tinha como propósito discutir iniciativas de leitura para crianças, mas a partilha da imagem gerou uma onda de indignação por ter coincidido com o encerramento do Mês do Orgulhos LGBTQIA+, conforme avançou a “People”.
Na publicação feita nas redes sociais da família real, a monarca de 78 anos surge sorridente ao lado da escritora, de 60 anos. “Com uma paixão partilhada pelos livros e um profundo compromisso com a leitura de prazer das crianças, a Rainha e a autora J. K. Rowling encontraram-se no Palácio de Holyroodhouse, em Edimburgo”, detalha a legenda, que sublinha a importância de garantir o acesso dos jovens à literatura.
No entanto, o público rapidamente se desviou do propósito solidário. Muitos seguidores e ativistas consideraram a publicação “desagradável” e “provocatória”, dado o historial recente de J. K. Rowling, frequentemente acusada de transfobia pelas suas posições públicas sobre a identidade de género.
Nos últimos anos, as declarações da criadora do universo “Harry Potter” têm sido alvo de forte contestação, levando a que muitos a rotulem como TERF (Feminista Radical Exclusiva de Transgéneros).
A autora, cujos comentários foram amplamente condenados pela primeira vez em 2020, nega as acusações de transfobia, defendendo-se sob a bandeira do pró-feminismo. Num ensaio publicado no seu site, J. K. Rowling justificou a sua posição afirmando que se recusa a “ceder a um movimento” que acredita estar a “corroer a ‘mulher’ como uma classe política e biológica”.
Embora a escritora tenha afirmado que quer que as mulheres trans estejam seguras, manifestou a sua oposição à partilha de espaços comuns, como casas de banho e balneários: “Quando se abrem as portas a qualquer homem que acredite ou sinta que é uma mulher… então abre-se a porta a todo e qualquer homem que deseje entrar.”
As críticas da escritora estenderam-se também à esfera política britânica. J. K. Rowling atacou publicamente o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, pela nomeação de Harriet Harmn (defensora dos direitos da comunidade trans) como Conselheira para Mulheres e Raparigas, ironizando na rede social X com o facto de o partido escolher alguém que “pensa que a definição de mulheres e raparigas inclui homens e rapazes”, segundo avançou a mesma publicação.