O restaurante australiano serviu o ingrediente não autorizado a mais de 12 mil clientes. No prato, tratava-se de um sorvete com “formigas negras de uso culinário” importadas.
O tribunal sul-coreano do Distrito Ocidental de Seul aplicou uma multa de cerca de 16.950 euros (25 milhões de won) à diretora e à empresa responsável pelo Evett, um aclamado restaurante de Seul galardoado com duas estrelas Michelin.
Em causa esteve a utilização ilegal de formigas secas no menu de degustação do estabelecimento entre abril de 2021 e janeiro de 2025, segundo o “Público”.
A penalização divide-se entre uma multa de 10.170 euros aplicada à diretora-executiva do espaço, identificada nos perfis públicos como Ginny Kim (alegadamente esposa do chef), e outra de 6.780 euros imputada à sociedade que gere o restaurante.
A decisão acabou por ser mais leve do que a intenção da procuradoria, que pedia um ano de prisão para a responsável e uma multa superior para a empresa.
O Evett foi fundado em 2019 pelo chef australiano Joseph Lidgerwood, conhecido do público internacional pela participação no programa da Netflix “Cozinha em Pé de Guerra”. O chef acabou por não ser constituído arguido nem acusado no processo, de acordo com a mesma publicação.
Os insetos em questão, importados dos Estados Unidos e da Tailândia e rotulados como “formigas negras de uso culinário”, eram servidos por cima de um gelado inspirado em sikhye (uma bebida tradicional sul-coreana de arroz), que integrava um menu de degustação composto por 15 pratos.
A acusação calculou que a sobremesa terá chegado a 12.274 clientes, num total estimado de 49.096 formigas consumidas. A defesa contrapôs que a adição dos insetos era opcional e que apenas cerca de 60% dos clientes aceitavam a proposta, tendo o tribunal reconhecido que o volume efetivo utilizado terá sido inferior ao legado pela procuradoria.
Embora a Coreia do Sul autorize o consumo humano de dez espécies de insetos (como as pupas do bicho-da-seda, vendidas habitualmente como comida de rua), as formigas não constam dessa lista e o restaurante não solicitou qualquer autorização prévia de exceção.
Para agravar a situação, o juiz sublinhou que os testes revelaram a presença de metais pesados acima dos limites legais permitidos nos insetos apreendidos.
A gerência do restaurante admitiu a veracidade dos factos, alegando em sua defesa que as formigas são habitualmente consumidas noutros países e que se tratou de uma falha de interpretação da legislação alimentar sul-coreana.
