Fato de Halloween para crianças gera polémica por referências racistas. Marca já deixou de vender a máscara

A gigante retalhista pediu desculpas publicamente depois de retirar de venda um fato infantil de palhaço associada a blackface e a estereótipos racistas. Entenda.

Instagram @afrocentricfilmscollaborative

Uma cadeira de lojas norte-americana, a Target, removeu do seu catálogo um fato infantil de Halloween após uma vaga de críticas que acusaram a empresa de promover uma peça que evocava blackface, espetáculos de minstrel e imagens racistas.

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Em comunicado partilhado nas redes sociais na segunda-feira, 24 de agosto, a empresa assumiu a responsabilidade pela falha. “Um pedido de desculpas da nossa parte: removemos um fato de Halloween ofensivo que nunca deveria ter feito parte do nosso catálogo. Já não está à venda. Como empresa, errámos nisto e pedimos profundas desculpas”, declarou a Target.

“Sabemos que isto é especialmente doloroso para os nossos clientes, membros da equipa e parceiros negros”, acrescentou a retalhista no mesmo comunicado. “Remover o fato é um primeiro passo importante e estamos a analisar atentamente como isto aconteceu e o que precisa de mudar para garantir que não volte a repetir-se.”

Vendido sob o nome “Kids’ Glows under Blacklight Circus clown”, o fato apresentava um fato macaco e capuz com estampado preto e laranja, com um sorriso exagerado e uma mini cartola.

Nas fotografias promocionais (entretanto apagadas), a indumentária era modelada por um rapaz negro. A pose do jovem modelo, de pé, com uma perna e um braço erguidos num gesto de aceno, gerou forte indignação pela sua associação com representações negativas da população negra da era de Jim Crow, de acordo com o “The Cut”.

A reação foi imediata nas redes sociais, com os internautas a questionar a veracidade do disfarce. “Target, é a sério? Não estou surpreendido, mas isto é um novo ponto baixo”, afirmou o comediante LaTrez Anderson num reel do Instagram, entretanto eliminado, segundo a mesma publicação.

O termo blackface é definido pela Merriam-Webster como “maquilhagem escura usada para imitar a aparência de uma pessoa negra e especialmente para gozar ou ridicularizar as pessoas negras”.

A utilização histórica desta prática nos EUA teve origem nos espetáculos de minstrel, nos quais artistas brancos pintavam a cara de preto para escarnecer das pessoas negras através de estereótipos ofensivos, de acordo com o National Museum of African American History and Culture.

Esta nova polémica surge quase um ano após a Target ter reduzido as suas iniciativas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI). Na sequência desse recuo, o CEO da empresa, Brian Cornell, abandonou o cargo ao fim de 11 anos na liderança, conforme anunciado em agosto de 2025.

Desde o início desse ano, a retalhista tem enfrentado boicotes por parte de consumidores devido aos cortes nas políticas de DEI, segundo noticiou anteriormente a revista “People”.

Na altura dessas alterações estratégicas, Anne e Lucy Dayton, filhas de um dos cofundadores da Target, classificaram publicamente as ações da empresa como “uma traição”, conforme avançou a CNN.

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