Foram detetados em Portugal os primeiros casos de um fungo considerado perigoso. Ao que tudo indica, segundo o jornal "Correio da Manhã", foi durante a tarde de terça-feira, 13 de janeiro, que um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto explicou que encontrou os primeiros casos confirmados no País de uma infeção chamada "Candida auris", e que chegaram à conclusão que a vigilância hospitalar é de extrema importância nestes casos.

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Este fungo, de acordo com a explicação da CUF, resiste muito bem a medicamentos que são normalmente utilizados para tratar infeções fúngicas, e apresenta um carácter invasivo ao ponto de conseguir "entrar na corrente sanguínea e causar infeções graves, por exemplo no sangue, em feridas, ouvidos ou até no coração e cérebro".

Este é um fungo que está presente sobretudo em doentes internados em hospitais ou residentes em lares, podendo constituir um sério risco para a saúde, uma vez que entre 30% a 60% dos doentes com esta infeção morreram.

"É fundamental que as instituições dedicadas ao ensino e à investigação se articulem com os hospitais e ULS [Unidades Locais de Saúde], no sentido de uma investigação translacional integrada, de modo a reforçar a capacidade de resposta", disse Sofia Costa de Oliveira, citada pelo CM, que acrescentou que a relevância desta descoberta "está associada principalmente à facilidade de transmissão em unidades de cuidados de saúde e à resistência a alguns antifúngicos, o que justifica uma vigilância reforçada".

Além disso, a docente da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto reforça ainda que o fungo "é de propagação hospitalar e não comunitária", e que as mortes associadas aos casos, que começaram a ser estudados em 2023, não aconteceram exclusivamente por causa da infeção, e sim porque esses mesmos doentes tinham a presença simultânea de duas ou mais doenças. Ou seja, é importante ter em consideração que a maioria dos 30% aos 60% dos doentes com esta infeção que morreram tinham outros problemas de saúde graves.

"A caracterização dos mecanismos envolvidos na resistência à terapêutica antifúngica é fundamental para investigar alternativas farmacológicas mais eficazes. O próximo passo será explorar o impacto real das novas mutações detetadas na progressão da infeção e na resistência antimicrobiana da 'Candida auris', de forma a tentar controlar esta ameaça global para a saúde", rematou Sofia Costa de Oliveira.