A escolha do próximo inquilino do Palácio de Belém está quase feita - e não 100% feita porque, como já se tinha vindo a noticiar, nenhum dos candidatos a presidente da República reuniu a maioria absoluta dos votos deste domingo, 18 de janeiro, pelo que Portugal terá de ir, pelas projeções à boca de urna do ICS/ISCTE/GFK/PITAGÓRICA, transmitidas na SIC Notícias, a uma segunda volta. No entanto, estarão apenas dois nomes na disputa, sendo que um deles ainda é incerto.
Isto porque António José Seguro, apoiado pelo PS, já está garantido na segunda volta, uma vez que terá reunido entre os 30,8% e os 35,2% dos votos. No entanto, o nome com quem irá disputar a presidência da República ainda não é certo, uma vez que tanto André Ventura como João Cotrim de Figueiredo podem ser os escolhidos. Até ao momento, o candidato apoiado pelo Chega vai em segundo lugar, com votos entre os 24,1% e 19,9%, e o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal em terceiro, com votos entre os 20,1% e os 16,3%
Posto isto, apesar de ainda nada estar confirmado, o cenário mais provável é que seja André Ventura a passar à segunda volta com António José Seguro. Henrique Gouveia e Melo, nestas projeções, aparece em quarto lugar, com votos entre os 12,4% e os 9,2%, e Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD) em quinto, com votos entre os 12,3% e os 9,1%, segundo as projeções lançadas às 20 horas pela estação televisiva. Manuel João Vieira, que levou uma candidatura mais caricata, conseguiu ficar à frente de outros três candidatos, com a projeção de 0,8% dos votos.
Desta forma, uma vez que parece que ninguém conseguiu reunir mais de metade dos votos considerados válidos (ou seja, mais de 50% dos votos), Portugal vai assim votar novamente nas eleições presidenciais a 8 de fevereiro, um mês antes de o próximo presidente da República tomar posse. Quem vencer nesta segunda volta será, então, o sexto presidente da República desde 25 de abril de 1974 e o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, que esteve no cargo nos últimos 10 anos.
Esta é apenas a segunda vez na história que acontece uma segunda volta nas eleições presidenciais, sendo que a primeira foi precisamente há 40 anos, em 1986. Na altura, Mário Soares e Diogo Freitas do Amaral foram os candidatos que reuniram mais votos na primeira volta, com Mário Soares a ser eleito presidente da República com quase 51% na segunda vez em que os votantes foram às urnas. 1986 foi também o ano com menos abstenção de sempre, com apenas 15,7&.
Quanto à abstenção de 2026, a projeção à boca de urna do ICS/ISCTE/GFK/PITAGÓRICA aponta para números entre os 35,6% e os 40,6%, deixando assim claro que esta foi a maior afluência às urnas nos últimos 20 anos no que diz respeito às eleições presidenciais - e possivelmente dos últimos 30 anos, se o número se mantiver abaixo dos 38%. Nas eleições de 2021, onde o ainda presidente da República foi eleito, a abstenção foi de 54,50%, a mais alta de sempre desde que o País se encontra em democracia.