Uma auxiliar da creche de um colégio privado em Pêro Pinheiro, no concelho de Sintra, foi constituída arguida pela Polícia Judiciária por suspeitas de maus-tratos e abuso sexual de crianças com apenas 3 anos, alegadamente cometidos no interior do estabelecimento educativo.
A suspeita, de 27 anos, trabalhava como auxiliar no colégio privado sendo ainda familiar próxima da dona e diretora pedagógica do colégio, tendo sido já afastada de funções, sendo avança o “Correio da Manhã”. No entanto, os responsáveis do colégio nunca apresentaram queixa, tentando resolver a questão discretamente.
A investigação iniciou-se em outubro do ano passado, na sequência de queixas apresentadas pelos pais das três crianças vítimas, ao Ministério Público e à PJ.
O alerta surgiu nas semanas que antecederam as denúncias. Os pais das crianças notaram algumas alterações no seu comportamento, existindo relatos de que pelo menos uma criança se tenha tornado agressiva.
Perante estas mudanças de comportamento das alegadas vítimas e de estas terem começado a sofrer sucessivos problemas físicos nas zonas genitais (como dores e infeções), os pais questionaram as crianças, que acabaram por referir que a auxiliar lhes batia e tocava quando as levava à casa de banho.
Após estes relatos, os pais levaram o caso à direção do colégio, que segundo os próprios terá demonstrado “uma total falta de empatia, ética e profissionalismo”, como avança o “Correio da Manhã”.
O teor das acusações levou a que as responsáveis do colégio promovessem uma reunião com todos os encarregados de educação das crianças com as quais a auxiliar em causa lidava diretamente. A reunião terá sido “violentamente interrompida”, como descreveu um dos pais presentes, pela mãe da suspeita (que trabalha no mesmo estabelecimento) tendo insultado e ameaçado alguns dos progenitores.
Os pais de uma das alegas vítimas terão admitido ao “Correio da Manhã” que ainda sofrem um “profundo sentimento de medo e de insegurança” face às ameaças da mãe da suspeita.
No entanto, perante os queixosos, a direção do colégio terá sempre refutado a existência dos abusos, chegando a propor a um dos casais (pais de uma das alegadas vítimas) dar “uma semana de férias à auxiliar, até que a situação fosse averiguada”.
O colégio sugeriu ainda transferir a arguida para outra sala, nomeadamente para o berçário, com crianças de 6 meses, nos dias seguintes, confirmaram algumas pessoas que assistiram às conversas conforme avança a mesma publicação. A direção terá afastado a auxiliar visada e os pais que denunciaram os abusos optaram por retirar os filhos do colégio.
A investigação esteve aproximadamente seis meses nas mãos da PJ, estando agora a ser avaliada pelo Ministério Público.