“Burlão do amor” do Minho seduzia mulheres no Instagram e sacava-lhes fortunas. Veja o esquema

Um homem de 28 anos foi detido em Guimarães, suspeito de criar perfis falsos no Instagram, envolver-se romanticamente com várias mulheres e sacar-lhes dinheiro, que usava depois em plataformas de jogo.

Uma fotografia chamativa, uma conversa aparentemente inocente através de mensagens no Instagram e a promessa de uma vida melhor. Era assim que começava o alegado esquema de um homem de 28 anos, detido pela Polícia Judiciária no concelho de Guimarães, esta quinta-feira, 9 de julho de 2026. Às mulheres que conhecia através das redes sociais, o suspeito apresentava-se como um investidor experiente nos mercados financeiros. Falava-lhes de lucros elevados, de oportunidades que não poderiam desperdiçar e de um futuro no qual o dinheiro cresceria rapidamente — desde que confiassem nele.

E a confiança não era conquistada apenas com números. Segundo as autoridades, o homem recorria à criação de perfis falsos no Instagram para estabelecer relações próximas com as vítimas, que, em alguns casos, evoluíam para ligações de natureza romântica. Só depois surgiam os pedidos de dinheiro.

Até ao momento, foram identificadas cinco mulheres e prejuízos superiores a 60 mil euros. A investigação continua, pelo que as autoridades admitem que possam existir mais vítimas ainda por localizar.

Depois de ganhar a confiança das vítimas, o suspeito alegava conseguir aplicar o dinheiro em investimentos altamente rentáveis. Convencidas de que estavam perante um profissional dos mercados financeiros — e, em alguns casos, perante um homem com quem mantinham uma relação afetiva —, as mulheres realizavam transferências bancárias, pagamentos através de MB WAY e outras operações financeiras. Os prometidos lucros, contudo, nunca chegavam.

De acordo com a investigação, o homem apropriava-se das quantias recebidas e não devolvia os valores que lhe tinham sido entregues. Parte significativa do dinheiro terá sido dissipada em plataformas de jogo online. As autoridades indicam ainda que o suspeito não tinha qualquer atividade profissional conhecida.

O método permitia-lhe transformar uma relação de confiança num falso negócio: primeiro surgia a aproximação emocional, depois a imagem de sucesso financeiro e, finalmente, a promessa de que as vítimas também poderiam ganhar dinheiro.

Quando percebiam que o investimento não existia — e que o dinheiro não seria recuperado —, o alegado investidor desaparecia, refere o “Correio da Manhã”.

Operação “Coração de Ouro” começou com uma denúncia

A investigação teve início após uma denúncia apresentada em setembro de 2024. No âmbito da operação batizada de “Coração de Ouro”, a Polícia Judiciária cumpriu um mandado de detenção fora de flagrante delito e realizou uma busca domiciliária em Guimarães.

O homem é suspeito da prática dos crimes de burla qualificada e branqueamento. Durante a operação, foram apreendidos vários elementos de prova, que serão agora submetidos a análise pericial.

O inquérito é dirigido pelo Ministério Público da Póvoa de Lanhoso. Após a detenção, o suspeito será presente a um juiz para primeiro interrogatório judicial e para a aplicação das respetivas medidas de coação.

As autoridades continuam a tentar perceber a dimensão total do esquema, incluindo a eventual existência de outras mulheres enganadas pelo mesmo suspeito. Tratando-se de uma investigação em curso, os factos atribuídos ao homem ainda terão de ser avaliados judicialmente.

Um “Tinder Swindler” português?

Este caso apresenta semelhanças inevitáveis com a história retratada em “The Tinder Swindler”, documentário lançado pela Netflix em 2022. A produção acompanha várias mulheres que conheceram Shimon Hayut — que usava o nome Simon Leviev — através do Tinder. O homem apresentava-se como herdeiro de um império de diamantes e exibia uma vida de luxo, com viagens, hotéis caros e aviões privados.

Depois de conquistar a confiança das mulheres, dizia estar a ser perseguido por inimigos e alegava não poder utilizar as próprias contas ou cartões por razões de segurança. Convencia então as vítimas a pedir empréstimos, abrir linhas de crédito ou entregar-lhe dinheiro, que seria usado para sustentar o seu estilo de vida e impressionar novas mulheres.

No caso investigado em Guimarães, a escala conhecida é bastante menor e o argumento utilizado seria diferente: em vez de um herdeiro perseguido por inimigos, o suspeito apresentava-se como investidor e prometia lucros nos mercados financeiros. Mas o mecanismo central é semelhante: construir uma identidade de sucesso, transformar uma ligação afetiva em confiança absoluta e usar essa confiança para conseguir dinheiro.

Tal como na história que se tornou um fenómeno mundial da Netflix, também aqui o romance poderá ter sido apenas o isco. O verdadeiro objetivo, suspeitam as autoridades, estava nas transferências bancárias que surgiam depois.

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