Dois anos depois de ter sido atropelado brutalmente pelo cantor Rúben Aguiar, Carlos Sales, de 56 anos, continua à espera de justiça. O Supremo Tribunal de Justiça profere esta quarta-feira, 5 de novembro, a decisão final sobre o caso que poderá determinar o cumprimento efetivo de pena de prisão pelo músico, condenado em primeira instância a seis anos de cadeia pelo crime de tentativa de homicídio.

O caso remonta a abril de 2023, quando uma discussão numa bomba de gasolina em Alcochete terminou em tragédia. Carlos Sales foi atropelado por Rúben Aguiar, que o abandonou no local sem prestar qualquer auxílio. A vítima sobreviveu, mas ficou com graves sequelas físicas e emocionais.

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Após o julgamento, o cantor foi condenado, mas encontra-se em prisão domiciliária, controlado por uma pulseira eletrónica, enquanto aguarda o desfecho do recurso interposto para o supremo tribunal. O objetivo de Aguiar é ver a pena reduzida ou alterada para o crime de ofensas à integridade física, o que evitaria o cumprimento de pena em estabelecimento prisional.

Carlos Sales, que foi submetido a três cirurgias, ainda não recebeu a indemnização de 40 mil euros fixada pelo tribunal. “Tantos recursos, tanta demora. Percebo que, por isto tudo, há uma descrença na justiça. O meu cliente ficou com sequelas para sempre e gastou muito dinheiro na recuperação, que tem sido lenta e difícil”, afirmou ao "Correio da Manhã" o advogado Pedro Nogueira Simões.

A decisão desta quarta-feira do supremo Tribunal de Justiça será determinante para definir se Rúben Aguiar cumprirá pena efetiva de prisão ou se continuará em regime domiciliário.