O objetivo é criar um título único que interligue os transportes das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, mas o processo enfrenta desafios tecnológicos complexos. Entenda.
Deslocar-se entre as duas maiores cidades do País utilizando apenas um passe de transportes pode estar muito perto de se tornar uma realidade. O Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, anunciou no Parlamento que o Governo está empenhado em lançar o Passe de Mobilidade Nacional até ao final de 2026.
Embora o ministro tenha admitido na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, ao deputado do Livre, Jorge Pinto, que o processo “não tem sido fácil”, garantiu que os trabalhos com as autarquias, áreas metropolitanas e comunidades intermunicipais estão a avançar a bom ritmo e que há um forte alinhamento político de forma que o processo “está a andar a bom ritmo”, segundo o jornal “ECO”.
A ideia do Passe de Mobilidade Nacional foi anunciada pelo ex-porta-voz do Livre, Rui Tavares, em maio de 2025, com o objetivo de unificar a oferta de transportes públicos em Portugal, permitindo que os cidadãos viajem de forma mais simples e integrada. Numa fase inicial, o título irá focar-se na interligação total das Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto. Só esta medida irá cobrir o equivalente a 80% da oferta nacional de transportes públicos.
A proposta pretende que, no futuro, este passe não se limite ao transporte ferroviário e rodoviário, cobrindo também percursos fluviais (barcos) e até táxis em zonas de baixa densidade populacional, onde a oferta de transporte público tradicional é escassa, de acordo com o “Observador”.
A ideia surgiu após o lançamento do Passe Ferroviário Verde pelo Governo em outubro de 2024. Este título de transporte, com o custo mensal de 20 euros por 30 dias, permite viajar nos serviços Intercidades, Regionais e Urbanos da CP, tendo já superado a marca de um milhão de unidades vendidas, de acordo com o “ECO”.
O ministro Miguel Pinto Luz referiu que esta implementação apresenta grandes desafios, desde logo pelo facto dos diferentes operadores dos meios de transporte utilizarem softwares e sistemas de bilheteira diferentes, que agora têm a necessidade de serem adaptador para ler o mesmo título.
Outra das dificuldades apresentadass pelo ministro é a diferença de regras de funcionamento e tarifários entre os operadores, sendo ainda necessário determinar e calcular com precisão matemática quanto deve receber cada operador por cada viagem que um passageiro realize utilizando o passe nacional.
Apesar destes obstáculos, o Governo mostra-se confiante de que os portugueses poderão ter o novo título na carteira antes de entrarmos em 2027.
