A depressão Marta entrou em Portugal continental na madrugada desta sexta-feira, 7 de fevereiro, trazendo chuva intensa, vento forte, agitação marítima e neve em várias regiões do País. O agravamento das condições meteorológicas levou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) a emitir avisos laranja e amarelo para grande parte do território, com impacto previsto ao longo do fim de semana.
A tempestade começou a fazer-se sentir durante a noite, com precipitação persistente e rajadas fortes, sobretudo nas regiões do Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo. Segundo o IPMA, o cenário de instabilidade deverá manter-se pelo menos até domingo, 9 de fevereiro, embora alguns avisos terminem ainda durante o dia 7 de fevereiro, dependendo do fenómeno em causa.
O aviso laranja, que se assume como o segundo mais grave, está em vigor em treze distritos de Portugal continental, devido a diferentes riscos meteorológicos. Por causa da chuva persistente e por vezes forte, estão ao abrigo deste aviso os distritos de Leiria, Santarém, Lisboa, Setúbal, Beja, Portalegre e Évora. Já devido ao vento forte de sudoeste, com rajadas até 100 km/h, o aviso laranja aplica-se aos distritos de Lisboa, Setúbal, Beja e Faro, entre as 6 e as 15 horas.
De acordo com o IPMA, a depressão Marta deverá perder intensidade gradualmente ao longo de domingo, 9 de fevereiro, embora a chuva e o vento possam persistir em algumas regiões até ao início da próxima semana. As autoridades recomendam especial atenção às zonas ribeirinhas, áreas costeiras e regiões montanhosas, bem como a adoção de comportamentos preventivos, diz o "Observador".
Entretanto, três municípios pediram o adiamento das eleições presidenciais devido às consequências do mau tempo, diz o "Expresso". Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal, Arruda dos Vinhos, no distrito de Lisboa, e Golegã, no distrito de Santarém decidiram não realizar a votação no domingo, 8 de fevereiro, devido aos danos significativos e às dificuldades de acesso, que são riscos para os eleitores e trabalhadores das mesas de voto.
Além destes casos, houve pedidos de adiamento pontuais noutras zonas. No concelho de Santarém, onde foi decretada a situação de calamidade, o município solicitou o adiamento apenas em duas secções de voto. Em Leiria, um dos distritos mais afetados pelo temporal, foi pedido o adiamento da votação numa freguesia, a Bidoeira de Cima, com o ato eleitoral reagendado para 15 de fevereiro.
Segundo a Comissão Nacional de Eleições, os municípios podem continuar a pedir adiamentos ou alterações até ao próprio dia da votação, caso as condições meteorológicas se agravem. Até ao final desta sexta-feira, 6 de fevereiro, estavam contabilizadas 64 mudanças de local de voto em vários distritos, numa resposta considerada excecional mas necessária face ao impacto prolongado do mau tempo.
Japão dá dicas para sobreviver às cheias
A Embaixada do Japão em Portugal deixou nas suas redes sociais algumas dicas para quem está a enfrentar esta situação, uma vez que, como escrevem na publicação, o país é conhecido por passar por vários desastres naturais. No Facebook, partilharam quatro dicas que podem servir para superar estas tempestades e cheias, e foram vários os internautas que agradeceram a ajuda. "Da experiência do Japão, um país de desastres naturais, queremos partilhar algumas dicas para se manter em segurança. Estamos convosco", escreveram.
Ora, a primeira dica é usar ténis e não galochas, uma vez que "se a água entrar nas botas, estas tornam-se extremamente pesadas e dificultam a locomoção em caso de emergência". Outra regra de ouro é evacuar antes que a água chegue ao joelho, pois "quando a água atinge essa altura, a pressão torna quase impossível para um adulto caminhar contra a corrente". Posto isto, também deixam a dica de que, se o nível da água subir rapidamente e ainda estiver em casa, o melhor é subir para o andar mais alto.
A terceira dica é usar um "terceiro pé" para caminhar na água, como um cabo de vassoura ou um guarda-chuva para conseguir sondar o chão à sua frente. "Com as cheias, as tampas dos esgotos podem saltar e ficam invisíveis sob a água suja, criando armadilhas que podem ser mortais", alertam. Por último, a Embaixada do Japão lembra que "apenas 30 cm de água em movimento podem arrastar a maioria dos automóveis", pelo que se encontrar uma estrada inundada, o melhor é mesmo não arriscar e voltar para trás.