A antiga joalheira de 97 anos prestou depoimento por videochamada a partir da clínica onde está internada. O socialite acompanhou o depoimento da mulher com a câmara e microfone desligados.
Betty Grafstein prestou declarações esta terça-feira, 29 de setembro, no Tribunal de Cascais, no âmbito do processo em que o marido, José Castelo Branco, de 63 anos, é acusado de violência doméstica.
A antiga joalheira, de 97 anos, falou por videochamada a partir de uma clínica onde se encontra internada em Nova Iorque, num depoimento marcado por momentos emotivos e relatos dramáticos sobre os quase 30 anos de casamento.
Inquirida pela juíza sobre o relacionamento com o socialite, a antiga empresária norte-americana não hesitou ao classificar a relação como “muito complicada e conturbada” desde o início, confirmando episódios repetidos de violência física, segundo o “Correio da Manhã”.
“Ele agredia-me tantas vezes… Socos, fui esmurrada”, afirmou Betty Grafstein, reforçando que as agressões aconteciam “em todo o lado, com tanta frequência, tantas vezes” e que eram “principalmente murros” no dia a dia.
Apesar da dificuldade em precisar datas exatas, justificando que “é quase impossível responder” a detalhes específicos de episódios ocorridos ao longo dos anos, Betty foi taxativa ao descrever o perfil do marido: “O homem era muito complicado e mau. Eu nunca conheci ninguém tão mau neste mundo.”
Quando questionada sobre o registo dessas agressões, a ex-joalheira referiu existirem provas clínicas em “hospitais estrageiros e americanos”, garantindo ao tribunal que não está a inventar e que tem marcas do que viveu. “Se fosse inventado, eu não estaria em tribunal”, desabafou durante a sessão, de acordo com a mesma publicação.
Na sessão da manhã já tinha sido ouvida Marcela, amiga de Betty Grafstein, que revelou ter presenciado várias agressões de José Castelo Branco à mulher entre março e abril de 2024 (altura em que as agressões foram tornadas públicas). A testemunha relatou em tribunal ter visto o socialite atirar a idosa para a cama e sublinhou que José Castelo Branco a obrigava a vestir roupas e sapatos contra a sua vontade.
O tema do controlo físico e da imagem acabou por ser confirmado da parte da tarde pela própria Betty Grafstein. A antiga joalheira revelou à magistrada que o marido interferia diretamente na sua alimentação e aparência física. “Ele escolhia a minha dieta e queria que eu estivesse sempre magra”, confidenciou.
A par da alimentação, Betty Grafstein explicou que o socialite a forçava a usar modelos de calçado que lhe causavam dores intensas: “Sapatos que me magoavam os pés… Rasos, médios, saltos altos.”
Segundo o “Correio da Manhã”, a idosa detalhou ainda a reação do socialite quando tentava resistir ou quando se queixava do desconforto. “Ele não ficava muito contente com isso. Ele forçava-me e era violento. Era aí que ele me empurrava, muito chateado, deixava de ser simpático”, contou à magistrada, apesar de admitir falhas de memória quanto a datas e detalhes específicos do passado devido à idade.
Quando questionada sobre o que a levou ao internamento hospitalar em Portugal, Betty Grafstein voltou a recorrer aos registos clínicos para sustentar o seu testemunho: “Eu fui maltratada e fiquei com as marcas. Vocês têm os registos, se não tivesse acontecido eu não estaria nesta situação.”
A antiga empresária desabafou ainda sobre o impacto do relacionamento na sua saúde mental, admitindo ser “quase como se estivesse louca” e explicando que essa dependência revoltava a família: “É por isso que o meu filho estava muito chateado por eu não sair da situação em que estava.”
Ainda sobre o filho, a juíza confrontou Betty com a tese da acusação de que teria sido proibida por Castelo Branco de falar com Roger durante dois anos. A joalheira garantiu não se recordar de tal proibição, sublinhando a proximidade constante entre ambos: “O meu filho sabia de tudo. Nós éramos muito próximos. Falávamos com muita frequência.”
Por determinação do tribunal, José Castelo Branco assistiu ao depoimento a partir de Nova Iorque com a câmara e o microfone desligados, de forma a não ser visto pela vítima. A juíza indeferiu igualmente o pedido de Roger para estar no quarto ao lado da mãe durante a videochamada, antes de dar início às perguntas da procuradora do Ministério Público.
