A funcionária da creche que se esqueceu de Sofia, de 18 meses, no interior de uma carrinha durante mais de sete horas, em Almada, terá admitido às autoridades que uma alteração na sua rotina de trabalho esteve na origem da tragédia.
A investigação à morte de Sofia, a bebé de 18 meses que morreu depois de ter sido esquecida no interior de uma carrinha de uma creche em Almada, continua a tem novos detalhes. A funcionária do colégio O Mestre Cuco, responsável por recolher a criança em casa e transportá-la para o estabelecimento de ensino, terá dito às autoridades, em estado de choque, que uma mudança inesperada na sua rotina de trabalho poderá ter estado na origem da tragédia.
“Trocaram-me as rotinas. Matei uma bebé por causa disso”, terá dito à PSP e, mais tarde, aos inspetores da Polícia Judiciária de Setúbal, segundo avança o “Correio da Manhã”.
Na manhã de quinta-feira, 23 de julho, a funcionária recolheu Sofia na casa da família, no Feijó, por volta das 8h20. No entanto, em vez de a deixar na creche, acabou por esquecer a menina no interior da viatura do colégio, um Peugeot 5008, que permaneceu estacionado ao sol durante mais de sete horas.
O alerta foi dado apenas às 15h53, quando os pais estranharam o facto de a filha não estar no polo da creche onde deveria ter sido entregue. Foi a própria funcionária quem abriu a porta da carrinha, estacionada a cerca de 1,5 quilómetros do estabelecimento, encontrando Sofia já inanimada.
Os meios de emergência do INEM e dos bombeiros ainda realizaram manobras de reanimação, mas sem sucesso. A criança acabou por ser declarada morta no local.
De acordo com o “Correio da Manhã”, a funcionária trabalha há cerca de 26 anos no colégio e explicou aos investigadores que, durante várias semanas, desempenhou sempre o mesmo percurso e horário na recolha e transporte das crianças. No dia da tragédia, porém, esse esquema terá sido alterado, levando-a, alegadamente, a esquecer-se da bebé.
Depois de prestar depoimento durante várias horas à Polícia Judiciária, a mulher regressou a casa sem ser constituída arguida. No entanto, essa situação poderá mudar nos próximos dias, à medida que a investigação avança.
A autópsia à criança será determinante para esclarecer a causa exata da morte e estabelecer a hora do óbito. Esses elementos serão fundamentais para a PJ avaliar eventuais responsabilidades criminais e perceber se poderão existir outros intervenientes no processo. O crime de homicídio por negligência, caso venha a ser confirmado, é punível com uma pena até cinco anos de prisão.
Entretanto, a família continua sem conseguir aceitar o que aconteceu. “Não conseguimos entender, aceitar ou perceber. Parece que o chão se foi embora”, afirmou a avó paterna da criança, Leonor Reis, ao mesmo jornal, defendendo que a creche deveria ter confirmado a chegada de Sofia ao estabelecimento.
O caso volta também a alertar para o perigo das temperaturas extremas no interior de veículos estacionados. Especialistas recordam que, em apenas 10 minutos ao sol, a temperatura dentro de um automóvel pode aumentar cerca de 10 graus, atingindo facilmente valores entre os 60 ºC e os 80 ºC.
