Ivo Lázaro é conhecido pelo seu trabalho de fotografia de nu. Através da lente da câmara, capta imagens de um corpo nu, seminu ou sugestivo de nudez. E é através do seu projeto intitulado Girls in My Bedroom (Raparigas no Meu Quarto, em Português), que o fotógrafo marca sessões de fotografias no seu estúdio com todas as modelos que aceitem ser fotografadas.

Apesar do reconhecimento no meio (a sua conta oficial de Instagram conta com mais de 53 mil seguidores), Ivo Lázaro foi esta quarta-feira, 11 de dezembro, acusado de conduta imprópria durante as sessões e de, alegadamente, abordar modelos menores para fazerem parte do seu projeto.

As denúncias chegaram através da conta de Instagram de Joana Frrey, uma criativa na área da ilustração, design gráfico, fotografia e relações públicas, que partilhou alguns dos testemunhos que lhe foram chegando, garantindo o anonimato das pessoas que a contactavam sempre que necessário.

Vítima de violência sexual, Marcella espalhou cartazes na Faculdade de Letras
Vítima de violência sexual, Marcella espalhou cartazes na Faculdade de Letras
Ver artigo

Antes de partilhar as denúncias, Joana fez uma declaração de intenções através de várias Instagram Stories: "Quando o projeto 'Girls in My Bedroom começou, achei que algumas das imagens eram controversas não porque ele fotografava mulheres nuas, mas porque mostrava como lhes podia tocar e até ter a sua assinatura no corpo delas."

Joana refere-se a fotografias em que a mão, alegadamente de Ivo Lázaro, aparece a baixar o top, a puxar as cuecas ou a assinar com um marcador a nádega de uma modelo. As imagens e as críticas de Joana Frrey ao comportamento de Ivo Lázaro foram o suficiente para que começassem a chegar os primeiros testemunhos.

“Penso que na altura tinha 16 anos (agora tenho 21) e ele mandava-me mensagem a pedir para me fotografar nua e eu sempre neguei. Depois de tanto insistir, disse-lhe que talvez aceitasse se não mostrasse completamente o corpo e que teria de me pagar pela sessão. A resposta dele? Que não pagava e que nós é que tínhamos de pagar”, revela uma modelo em anonimato.

Outra das mulheres que contactou Joana Frrey, a quem deu autorização para que o seu testemunho fosse partilhado, terá sido abordada por Ivo Lázaro quando tinha apenas 15 anos.

“Eu já sabia o que realmente se estava a passar, não só por ter sido abordada por ele aos 15 anos, mas também por ter tido amigas que fotografaram naquele registo enquanto eram menores. Do que soube, a maioria não se lembra das coisas porque antes da sessão, para as deixar mais à vontade, havia uma vasta oferta de bebidas alcoólicas.”

Mas as acusações de abordagem a menores não se ficam por aqui. Outra modelo, sob anonimato, revelou que Ivo Lázaro a contactou quando tinha 15 anos e que se sentiu pressionada a posar nua para ele.

“Tenho 19 anos, sou modelo desde os 14. Foi por essa altura que esse homem me contactou. Começou por conversas normais, elogios, etc. Até que me apresentou este seu projeto. Pedia-me fotos. Eu mandei aquelas que mandava para castings: full body (vestida) e de cara. Começou por me dizer que eu era demasiado magra, mas que podia ser das roupas e que me queria ver despida. Eu não queria fotos despidas nem de roupa interior, disse-lhe. Fazia-me pressão porque queria muito ter uma imagem ‘jovem’ e naif no seu projeto. 14 anos. Recusei", revela.

E continua: “Passado um ano voltou a contactar-me a perguntar se já tinha mais peito. Não lhe respondi. Enchia-me as mensagens com spam. Há uns meses fiz uma sessão de roupa interior com uma fotógrafa com quem tenho confiança e publiquei. [O Ivo] mandou-me mensagem a dizer que agora que já viu o meu corpo, queria-me nua no quarto dele para me fotografar. [Disse ainda] que era linda e que lhe apetecia beijar-me todo o copo, que continuava com um corpo jovem e delicado como antes."

Outra modelo acusa Ivo de oferecer a sessão fotográfica na condição de a modelo aceitar “um menáge com ele e a namorada”. Segundo conta a mesma modelo, na altura teria 16 ou 17 anos.

Confrontado pela MAGG, Ivo Lázaro começa por dizer que não reagiu nem reagirá às acusações nas redes sociais por não querer alimentar "uma situação não fundamentada, onde não são apresentadas opiniões mas sim acusações não fundamentadas que, além de repugnantes, são falsas."

A lei contra a violência doméstica é “completa”. Então, porque é que está a falhar tanto?
A lei contra a violência doméstica é “completa”. Então, porque é que está a falhar tanto?
Ver artigo

"Tenho lido tudo com a maior das atenções e obviamente que não me identifico com nada do que tem sido dito através de situações retiradas de contexto e de feedbacks que qualquer um pode dar. As acusações são uma quantidade de provocações à espera de resposta; um incentivo ao ódio de forma gratuita de supostas pessoas que nunca sequer fotografaram comigo", diz em exclusivo à MAGG.

Quando questionado sobre as acusações de que, alegadamente, abordava menores e as pressionava para serem fotografadas nuas, Ivo Lázaro desmentiu. "Todas as acusações são repugnantes e obviamente que nunca contactei menores e muito menos insisti para serem fotografadas."

Ivo Lázaro garante estar a ser vítima de acusações "falsas", "graves" e "sérias", admitindo ainda acionar "os meios legais apropriados". E garante que o conceito do seu trabalho sempre foi o de transmitir "o empoderamento da mulher, da partilha de liberdade da mesma em se expor conforme quer e com todo o consentimento" que lhe é dado.

A MAGG chegou à fala com uma modelo que, em trabalhos anteriores, passou pelos estúdios de Ivo Lázaro e aceitou trabalhar com ele no âmbito do projeto "Girls in My Bedroom". E admite que a sessão decorreu sem o mínimo percalço.

Joana (nome fictício), 22 anos, pediu a preservação do anonimato, e conta que a sessão com o fotógrafo aconteceu em meados deste ano. "O Ivo sempre se mostrou profissional e respeitador em todos os contactos que tive com ele. Quando cheguei ao estúdio, ofereceu-me um refrigerante não alcoólico, enlatado, logo também não tenho o testemunho de que ele oferece bebidas alcoólicas às modelos", explica.

A modelo terá levado roupas para trocar antes da sessão, que vestiu numa sala à parte e com a sua privacidade garantida. E garante que em momento algum Ivo propôs uma fotografia de "cariz sexual" ou mais sugestiva.

"Sempre respeitou o meu registo e disse-me que quanto mais confortável estivesse, melhor sairiam as fotografias. Além disso, mostrou sempre ter uma grande capacidade de adaptação e garantiu-me sempre de que poderia levar alguém para me acompanhar durante as fotografias."

Joana diz também que Ivo Lázaro sempre pediu consentimento para usar as fotografias das modelos nas suas redes sociais e chegou e que não recusou quando, num determinado momento, a modelo lhe pediu para parar de usar uma fotografia.

"Ainda há bem pouco tempo ele pediu-me consentimento para publicar uma fotografia minha não censurada no Twitter, como modelo anónima, e eu disse que não me sentia confortável com o meu corpo a ser partilhado. Ele não contestou e a vida continuou", revela.

Será que eu também me pus a jeito?
Será que eu também me pus a jeito?
Ver artigo

No entanto, a modelo reconhece: "O facto de a sua experiência ter sido positiva com Ivo, não implica que no passado outras modelos não tenham tido más experiências. Na impossibilidade de ser verificar a veracidade das mensagens partilhadas e analisar o seu contexto, escolhi manter-me neutra porque reconheço que há uma grande facilidade em deturpar contextos."

Desde que as acusações de Ivo Lázaro foram tornadas públicas, o fotógrafo tornou privadas as suas contas de Facebook e Instagram.

Newsletter

A MAGG é uma revista digital pensada para mulheres e focada nas preocupações centrais da vida de cada uma. Falamos de tudo o que está a acontecer de forma descontraída mas rigorosa.
Subscrever

Notificações

A MAGG é uma revista digital pensada para mulheres e focada nas preocupações centrais da vida de cada uma. Falamos de tudo o que está a acontecer de forma descontraída mas rigorosa.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.

Fale connosco

Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado.