Maria Rueff critica Globo de Ouro entregue a Ricardo Araújo Pereira. “É preciso ser-se justo”

A atriz questiona a escolha de Ricardo Araújo Pereira para o prémio especial de 30 anos de Humor e acusa a gala dos Globos de Ouro de esquecer as mulheres que ajudaram a fazer rir Portugal.

Maria Rueff

Ricardo Araújo Pereira saiu da 30.ª gala dos Globos de Ouro com o prémio especial de Humor. Maria Rueff saiu com uma pergunta: se a distinção assinalava três décadas, onde ficaram as mulheres que já faziam humor nessa altura?

A cerimónia realizou-se no sábado, 26 de setembro, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Ao receber o galardão, Ricardo Araújo Pereira observou que há 30 anos tinha apenas 22 e ainda não fazia humor. Maria Rueff, que estava na plateia, pegou nesse comentário para explicar a sua posição numa publicação no Instagram.

A atriz fez questão de afastar a ideia de um ataque ao colega. Diz-se fã do seu trabalho, recorda que este escreveu para Herman José e para si e considera que merece prémios. O que contesta é a escolha para esta homenagem em particular: na sua leitura, uma celebração dos 30 anos do humor deveria lembrar quem já estava a construir esse percurso.

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“Acontece que há 30 anos quem fazia humor na SIC eram, para além do Herman e de alguns pares já desaparecidos, eu , a Ana Bola e a Marina Mota. No meu caso, o Humor (rábulas e sketch’s) era feito em direto e todas as semanas no ‘Herman Sic’, um dos programas de maior êxito da estação, onde estiveram presentes muitos convidados nacionais e internacionais e onde criei as minhas personagens mais icónicas”, escreveu na mesma publicação.

Pelo caminho, lembrou também que alguns dos autores de “O Programa da Maria”, entre eles o próprio Ricardo Araújo Pereira, se tornaram figuras centrais do humor português.

A carreira que invoca começou antes desses formatos da SIC. Já na década de 1990, Maria Rueff se tinha destacado ao lado de Ana Bola em “A Mulher do Senhor Ministro”, o “Herman SIC” viria mais tarde, em 2000. É uma distinção de datas que ajuda a perceber a crítica, dado que a atriz pede que a história do humor ao longo destas três décadas seja contada com memória de quem abriu caminho.

Na publicação, escreve que não quer “tirar lugar aos novos”, mas impedir uma “queima de arquivo”. E levanta a questão que tornou o desabafo mais contundente: a possibilidade de as mulheres terem ficado de fora desta homenagem por um machismo que considera “nunca extinto”.

“Não basta meus senhores, para cumprir cotas, premiar a Joana Marques, não discutindo obviamente o seu mérito. É preciso fazer mais, ser-se justo”, disse ainda, referindo-se à vitória da humorista da Renascença com o Globo de Personalidade do Ano em Humor.

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