O novo elevador da Glória deve ser inaugurado em 2029 e terá travagem automática. Saiba tudo sobre o futuro ascensor

O novo ascensor da Glória seguirá o modelo do anterior, mas será totalmente renovado. Vai contar com duas cabines que não serão de madeira e travagem automática.

Quase um ano depois do acidente do Elevador da Glória, que matou 16 pessoas e provocou 24 feridos, há novos detalhes sobre o futuro ascensor. Desde a tragédia, o equipamento encontra-se parado e não tinha data definida para regressar ao serviço, tal como os ascensores do Lavra e da Bica e o Elevador de Santa Justa, que não estão a circular. O Funicular da Graça foi, até agora, o único destes equipamentos históricos a reabrir, em abril deste ano.

Memorial do Elevador da Glória deverá ser inaugurado esta semana. Acidente em 2025 matou 16 pessoas
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O Elevador da Glória vai ser construído de raiz e deve começar a circular em 2029. A informação foi avançada esta segunda-feira, 31 de agosto, numa apresentação no auditório da Ordem dos Engenheiros, em Lisboa. O presidente da Carris, Rui Lopo, explica que “o ascensor será novo mas, o lugar continuará histórico”, citado pelo “Correio da Manhã“. Assim, a Calçada da Glória não sofrerá alterações no que toca à inclinação, à própria calçada e ao ascensor, ficando “como a conhecemos nos últimos 140 anos”.

Rui Lopo relembra que este foi um acidente que marcou “profundamente a cidade, a Carris e os seus trabalhadores” e que não era possível “ter um equipamento histórico que funcionava sem modificações substantivas até ao dia 1 de janeiro de 1986”. “Portanto, estamos perante uma solução nova em termos de processo construtivo”, afirmou.

O que se sabe sobre o novo Ascensor da Glória?

É um equipamento seguro, é um equipamento moderno, uma cabine semelhante à anterior, mas não será em madeira, será em materiais mais resistentes a qualquer embate, a qualquer circunstância“, detalha Rui Lopo.

No que toca a segurança, o vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Gonçalo Reis, adiantou que o plano baseia-se “numa solução robusta e tecnicamente avançada, que garanta a eficácia e a segurança ao nível das melhores práticas do mundo”. O objetivo é ter “uma solução moderna, avançada, tecnológica, mas que em paralelo respeite a identidade, o caráter e a personalidade do Elevador da Glória, que é um equipamento histórico”, acrescenta.

Apesar de ainda não haver muitos detalhes quanto a custos, o presidente da comissão técnica independente da Carris, Luís Gonçalves, explica que pretende avançar com o concurso “até ao final do primeiro trimestre de 2027”, para que seja possível inaugurar “até ao ano de 2029”.

Para Ricardo Bak Gordon, arquiteto do projeto, o futuro elevador é “uma oportunidade para a revisão crítica do lugar”. Haverá ainda um museu dedicado ao ascensor que está na Calçada da Glória desde 24 de outubro de 1885. “É intenção memorizar o acontecimento e musealizar, nomeadamente partes da carruagem 1, e que isso venha a ser também visitável”, disse o arquiteto.

O relatório final sobre o acidente não ficará concluído em setembro, como previsto, dada a complexidade das peritagens técnicas, segundo informou o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF). Prevê-se que o documento seja publicado até ao final do primeiro trimestre de 2027.

A tragédia de 3 de setembro de 2025 marcou o País e teve impacto também fora de Portugal, uma vez que as 16 vítimas mortais tinham 15 nacionalidades diferentes. Quase um ano depois do acidente, Lisboa vai prestar homenagem permanente às vítimas com a criação do memorial na Calçada da Glória.

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