Halloween é a noite em que os looks mais disruptivos ganham vida. É, a par do Carnaval, a data do ano em que podemos ser outra coisa que não nós: uma boneca possuída, um vampiro mortífero, um palhaço assassino e a lista continua. É também, por isso mesmo, a altura em que mais abusamos da maquilhagem e em que mais nos queixamos de a ver derreter antes da meia-noite.

Ninguém sabe isto melhor do que Catarina Frazão, criadora de conteúdos que soma mais de 800 mil seguidores no TikTok e mais de 400 mil no Instagram, sendo conhecida pelos seus vídeos que desafiam o impossível. De recriar o look de Doja Cat no desfile de 2023 da Schiaparelli, com "cerca de cinco mil brilhantes", a transformar-se em personagens icónicas do nosso imaginário, faz do seu rosto um campo de experiências artísticas.

Por isso, se há alguém capaz de explicar como sobreviver a uma maquilhagem de Halloween até ao nascer do sol, é ela. "Normalmente é uma noite em que há muito movimento – é festa, dança, suor – e muitas vezes as pessoas optam por sangue falso ou tintas de efeitos especiais que não são fáceis de fixar", começa por dizer, afirmando que há que se fazer toda uma jigajoga para o resultado ser duradouro.

Afinal, a maquilhagem de Halloween é uma prova de resistência. “Os próprios materiais de efeitos especiais, por vezes, não são fáceis de trabalhar", enfatiza. Mas, se tivéssemos de seguir algumas dicas para que o look não seja arruinado assim que pomos os pés na festa mais próxima, quais seriam? Nós resumimos-lhe tudo em quatro dicas a que não deve virar a cara.

Não descure a preparação

catarina frazão
catarina frazão créditos: Instagram

Antes de qualquer tinta ou ferida falsa, e como em qualquer maquilhagem, mesmo as mais simples do dia a dia, vem o cuidado da pele. Mas calma, porque isto não pressupõe exageros. “Há quem ache que quanto mais passos de skincare fizer, melhor a maquilhagem vai aderir, mas nem sempre é assim. Às vezes o resultado é o contrário e a maquilhagem começa a esfarelar”, explica Catarina Frazão.

Por isso, o segredo é, sem dúvida, a simplicidade, mas tendo todos os cuidados devidos. “Mais vale lavar a cara, pôr um bom hidratante, especialmente na zona das olheiras que é mais seca, e aplicar primer. Só isso. Se carregarmos em muitos produtos, tudo começa a descolar", adianta a criadora de conteúdos.

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Claro que isto tem de passar pela utilização dos produtos adequados ao seu tipo de pele – caso contrário, não há mesmo milagres. “É escolher os produtos certos para o tipo de pele. Eu tenho pele oleosa e sinto que é um mito pensar ‘não preciso de hidratante’. Precisamos sempre, só que na dose certa.”

Escolha bem o seu arsenal

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catarina frazão créditos: Instagram

Tinta, glitter, sangue falso, o kit de Halloween é dos mais completos de sempre. Tem de ser mesmo assim, porque não há outra forma de conseguir feridas realistas, uma boca repleta de sangue ou um olhar maquiavélico. Mas tudo depende da intenção, obviamente. “Sinto que, no Halloween, a maquilhagem ou é glam ou assustadora”, diz Catarina Fonseca.

No que diz respeito à duração do glitter, é direta. “Neste momento, eu acho que está proibido na União Europeia, por isso nem sei quem o vende. Mas o que melhor funciona é cola própria para glitter, nunca cola normal", frisa, dizendo ainda que uma opção passa por "usar aqueles que já vêm em gel, que fixam bem".

Quanto às tintas, que podem ser de óleo ou à base de água, não há fórmula perfeita. "As de óleo são mais difíceis de manter, mas dão muito mais cobertura", explica, acrescentando que, por outro lado, "as de água saem mais facilmente, mas ficam com falhas". "Se for para [um look] vermelho, por exemplo, o de óleo é imbatível", afirma.

E o sangue falso, que é só aquilo que nenhum look arrepiante de Halloween dispensa? “Depende do efeito. Se queremos um sangue mais realista, é [utilizar] o que não seca, o que parece estar a escorrer. Se queremos algo [com um ar] mais morto, é o sangue seco", continua, deixando uma dica de ouro: ter algo para retocar é absolutamente indispensável.

Cuidado com a aplicação

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catarina frazão créditos: Instagram

Sabemos que os looks de Halloween costumam ser fora do comum, mas a quantidade de produto que aplica não tem de ser. Catarina Frazão diz que camadas a mais não são sinónimo de durabilidade. "As pessoas acham que quanto mais produto colocarem, melhor, mas não", afiança, dando um exemplo concreto.

"No caso do látex, por exemplo, o truque é trabalhar em camadas finas", explica. "Látex, uma folha de papel higiénico, mais látex, e ir secando com o secador" é aquilo que deve ir fazendo, no caso de utilizar este material para fazer feridas falsas ou outras caracterizações. "Umas três camadas no máximo" são mais do que suficientes, explica.

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A par disso, tudo tem a sua ordem lógica de aplicação. "O sangue falso é sempre a última coisa" a ser colocada – ou seja, depois de tudo o que precisa de fazer para que o look fique completo. Já o látex, por exemplo, deve ser aplicado antes da base, para não interferir na textura. "Se pusermos por cima, vai criar uma superfície irregular", adianta.

E atenção às zonas de movimento, porque, caso queira uma maquilhagem efetivamente duradoura, a especialista não aconselha a que aplique muitos produtos nestes locais, dos quais a boca é exemplo. "O látex não é maleável, portanto se for usado na boca, vai acabar por descolar. Se for para colar uns cornos, por exemplo, ou algo que não se mexe muito, aí já resulta bem", reitera.

Sele tudo muito bem

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catarina frazão créditos: Instagram

O último passo é, sem sombra de dúvida, um dos mais decisivos. Sim, estamos a falar da fixação, que a profissional entende como sendo o casamento de dois produtos para que tudo corra às mil maravilhas. "Sinto que é um conjunto entre o pó e spray fixador”, diz-nos, explicando ainda a lógica por detrás deste raciocínio.

"Convém sempre selar os produtos em creme com pó, para eles não se moverem", continua Catarina Frazão, ao acrescentar que "depois, o setting spray ajuda as camadas a fundirem-se e o fixing spray dá o toque final". Mas atenção, porque, depois do pó, nada de voltar a pôr produtos líquidos por cima, porque o resultado não vai ser bom.

Mesmo se cobrir o rosto com tintas, em vez de uma base convencional, o princípio mantém-se. Pelo menos nas de óleo, que praticamente não secam, ao contrário das que são formuladas à base de água, garante a makeup artist, que ainda dá uma dica de mestre. "Pode ser um pó colorido, como sombra da mesma cor. É o que garante que nada sai do lugar", frisa.

Outras regras simples, e que podiam perfeitamente aplicar-se a maquilhagens do dia a dia, passam por aplicar pó solto nas zonas oleosas e nas mais suscetíveis a linhas, como o contorno ocular. A lógica é garantir que cada produto tem espaço para secar e fixar antes de sair à rua.

Em suma, se tivesse de definir os alguns mandamentos de uma maquilhagem duradoura para a efeméride, Catarina Frazão diz-nos, entre risos, que "not to prime is a crime" (não pôr primer é um crime, em português) e que "selar bem", com pó e spray fixador, é o mais importante. A par disso, relembra que o objetivo, mais do que um look que dure, é a diversão que esta noite proporciona. Por isso, a maior dica é esta: não se censure se algo sair do sítio.