Há marcas que lançam perfumes e há outras que, por perceberem a complexidade da memória olfativa e o peso cultural de uma fragrância, constroem todo um conceito à volta dos mesmos. A insígnia portuguesa Next Memory pertence, claramente, ao segundo grupo e a nova criação, Engram, não deixa margem para dúvidas.

A Engram promete não ser só mais uma das milhentas eau de parfum que todos os anos chegam às prateleiras das várias marcas, mas um exercício sério de perfumaria de autor. Até porque foi desenvolvido em colaboração com uma expert de beleza, a farmacêutica e especialista em ciências cosmetológicas Joana Nobre.

O conceito parte da ideia de "engrama". O que é isto? Bem, para os mais leigos, o Priberam define este nome como uma "alteração bioquímica ou biofísica produzida no cérebro pela memória de um estímulo muito forte". E é precisamente isso que a marca promete fazer: transformar a noção científica numa proposta sensorial, de forma a deixar clara a ideia de que um aroma pode ser um arquivo emocional.

A génese do perfume está numa memória pessoal de Joana Nobre, vivida em Nova Iorque. "Um momento onde espaço, luz, textura e atmosfera se fundiram numa experiência sensorial marcante", lê-se na missiva. A partir dessa recordação, a equipa desenvolveu uma composição que evolui em camadas, como qualquer memória que se revela aos poucos.

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o Joana Nobre e os fundadores da Next Memory, Dennis de Vries e Patrick Felipe van den Berg

A abertura promete ser fresca, com notas de bergamota e laranja, envolvidas por um açafrão subtil que introduz calor e profundidade. No coração, o couro e o lírio-do-vale equilibram conforto e tensão. No que diz respeito à base, esta é composta por oud, labdanum e patchouli dão estrutura, e resultam num aroma quente, elegante e cheio de complexidade. Pelo menos é assim que a especialista o descreve.

“Penso o Engram como algo mais do que uma fragrância, quase um dispositivo de evocação, um arquivo vivo que desperta a cada respiração. Existe nesse espaço entre o movimento e a emoção, onde o perfume se transforma em memória", diz Joana Nobre, na missiva. Não é comum ouvir uma especialista em ciência cosmética falar de perfume como quem fala, por exemplo, de literatura, mas é isso que dá encanto ao projeto.

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O packaging também importa, claro está. A identidade visual ficou a cargo de Braulio Amado, nomeado para os Grammys 2025, que traduziu o conceito de memória através de repetição e ritmo gráfico. O padrão funciona como extensão silenciosa da fragrância, que não compete com a mesma, sendo apenas uma extensão daquilo a que se propõe.

No entanto, o universo Engram não se limita à eau de parfum (123€ por 100 mililitros). A coleção inclui ainda perfume sólido (entre 45€ a 55€) e vela perfumada (46€), todos produzidos em Portugal. O lançamento está marcado para 13 de março, que é quando vai poder adquirir os produtos.

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