E se três produtos de skincare conseguissem deixar o rosto mais firme, preenchido e luminoso sem passar pelo consultório de estética? Testámos durante quase um mês a nova linha Pro-Collagen Micro-Growth Factor, da Filorga, e percebemos se a promessa de um “efeito lifting” dentro de um frasco é mesmo para levar a sério.
Bem sei o quão utópica é a existência de uma linha de cuidados de pele que nos consiga devolver aquilo que o tempo, a gravidade e as expressões faciais foram levando – até porque, se for tão expressivo quanto eu, sabe que a ruga da glabela já está longe de ser meramente superficial de tanto franzir a testa. Contudo, a nova linha da Filorga promete ser quase uma máquina do tempo. E enquanto alguém que desconfia sempre um bocadinho de tudo o que promete um lifting dentro de um frasco, a única maneira de perceber se havia alguma coisa de concreto por trás da promessa era fazer aquilo que faço melhor: experimentar.
Foi exatamente isso que fiz. Durante praticamente um mês, o Sérum Lifting Tensor, o Creme Lifting Refirmante e o Sérum Lifting de Contorno dos Olhos entraram oficialmente na minha rotina. Manhã, noite, sérum, creme, olhos, repetir. E se há uma coisa que posso dizer desde já é que a pele começou a dar sinais de que estava a gostar da brincadeira imediatamente após a primeira aplicação. Sim, porque sendo este o meu trabalho e passando pelas minhas mãos dezenas de produtos, quase que bastam as primeiras impressões para perceber se algo vai (ou não) resultar comigo.
Mas vamos a contextualizações. A linha chama-se Pro-Collagen Micro-Growth Factor e a ideia que a alicerça é muito fácil de explicar, apesar de a ciência que está na sua génese seja tudo menos isso: trabalhar a pele de dentro para fora, estimulando os mecanismos responsáveis por aquilo que começamos a perder com o tempo, sobretudo colagénio e elastina. Para isso, a marca desenvolveu um complexo de micropéptidos com um fator de crescimento biomimético, inspirado na ciência da medicina estética. Ok, agora numa linguagem menos complexa, a missão é deixar a pele mais densa, firme, elástica e preenchida, em vez de simplesmente disfarçar aquilo que já lá está.
E foi precisamente a sensação de pele repulpada e brilhante que notei numa primeira instância. Não, não é aquele glow artificial de quem acabou de espalhar um produto rico no rosto e ainda está à espera que tudo seja absorvido ou uma sensação pegajosa, algo com o qual, enquanto detentor de uma tez bastante oleosa, estou bastante familiarizado. É diferente. A pele parece mais cheia, mais lisa e deixa a sensação de ser feita de porcelana. As rugas continuam lá, mas ficam automaticamente menos evidentes porque a pele parece ter recuperado alguma da sua estrutura.
Houve até uma zona que me chamou particularmente a atenção: a área junto à boca. Não pelas rugas propriamente ditas, mas por aquela sensação de que a pele começa a ficar ligeiramente mais solta, menos firme e, perdoe-nos o estrangeirismo, floppy. Sabe quando olha para uma fotografia e pensa: “quando é que isto começou a acontecer?”. Pois. Ao longo das semanas, essa sensação foi diminuindo e a pele pareceu voltar mais ao sítio. Não estou a dizer que a etiqueta inventou um lifting que carece de ir à faca (para isso, é melhor continuar a sonhar), mas é difícil ignorar uma diferença que se sente e vê ao espelho.
E não me canso de frisar o brilho da pele. É tanto e tão bom. Aquele que faz parecer que dormimos oito horas, bebemos dois litros de água e temos uma relação perfeitamente saudável com a vida, mesmo quando nenhuma das três coisas é particularmente verdade. Mais uma vez, a pele fica luminosa, mas zero pegajosa, oleosa ou com aquele aspeto de produto que não passa da superfície, porque, efetivamente, o glow parece vir de dentro.
O Sérum Lifting Tensor é, para mim, o verdadeiro protagonista da linha. Tem uma textura leve, espalha-se rapidamente e deixa logo aquela sensação subtil de pele mais “esticada”. A Filorga fala num efeito tensor imediato e, embora não seja fã de atribuir poderes mágicos a cosméticos, há uma ligeira sensação de suporte depois da aplicação. Com o uso continuado, aquilo que inicialmente parece apenas um efeito cosmético começa a juntar-se a uma pele que, no geral, parece mais firme.
O creme vem depois e faz exatamente aquilo que esperamos de um produto deste género, uma vez que envolve a pele, dá-lhe conforto e mantém a sensação de hidratação. É mais rico do que o sérum, mas não deixa aquela camada pesada que nos faz querer lavar a cara meia hora depois. E, neste caso, a textura interessa, porque uma rotina que queremos fazer durante quase um mês tem de ser suficientemente agradável para não se transformar numa obrigação penosa.
Nos olhos, a experiência foi ligeiramente diferente, mas não necessariamente pela negativa. Isto é, o Sérum Lifting de Contorno dos Olhos tem um aplicador com uma esfera metálica que, além de distribuir o produto, permite fazer uma pequena massagem na zona. E, verdade seja dita, há poucas sensações melhores do que aquela esfera fria a deslizar pelo contorno dos olhos de manhã, sobretudo quando ainda estamos a tentar perceber em que ano vivemos.
Contudo, o único senão está precisamente no sistema de aplicação. O orifício liberta produto a mais para uma zona tão pequena. Não precisamos de uma quantidade generosa de sérum para cobrir o contorno dos olhos e, algumas vezes, acabámos com mais produto na esfera do que aquele que efetivamente precisávamos. É um problema de eficácia? De todo. Mas é um daqueles pequenos detalhes que, numa embalagem tão pensada, podiam estar melhor resolvidos, digamos.
Uma coisa é certa: a Filorga apresenta esta linha como uma nova geração de cuidados inspirados na ciência regenerativa e no chamado skin biohacking. No centro estão os micropéptidos e um fator de crescimento biomimético desenvolvido para apoiar a produção natural de colagénio, elastina e ácido hialurónico. A marca apresenta ainda resultados obtidos nos seus testes, com melhorias de firmeza, elasticidade e aparência da pele ao longo de várias semanas. Não conseguimos medir a quantidade de colagénio da nossa pele em casa – a ignorância, em certos casos, é mesmo uma bênção, meus amigos –, mas basta olhar para um espelho.
Por isso, ao fim de praticamente um mês, o veredicto é bastante simples: sim, sentimos diferença. Não é uma transformação estrondosa, não é a promessa de acordar com uma cara nova e não substitui um procedimento estético. Aliás, talvez quem está de fora nem sequer note. No entanto, e porque sou eu que tenho de me olhar ao espelho todos os dias, efetivamente fiquei satisfeito e com a sensação de ter uma pele mais preenchida, mais elástica, luminosa e firme, com as pequenas rugas menos evidentes.
Claro que isto vem de mãos dadas com um custo, que será, quiçá, a parte menos romântica de qualquer relação com a skincare. O Sérum Lifting Tensor custa 69€, enquanto o Creme Lifting Refirmante fica pelos 59€ e o Sérum Lifting de Contorno dos Olhos pelos 54€. Ou seja, fazer a rotina completa implica um investimento de 182€. Portanto, de facto, não será propriamente uma compra por impulso na fila da caixa.



