Após a primeira gala da "1.ª Companhia" a recente edição ficou marcada por um dos momentos mais emotivos do programa. Longe da exigência física e da disciplina militar, o programa abriu espaço a um testemunho pessoal de Sara Santos, que falou pela primeira vez com os restantes recrutas sobre a morte da filha, ocorrida há quase oito anos.

Sara Santos conta tudo sobre o parto negligente que levou à morte da filha. "Eu podia ter morrido. Foi uma sorte ter sobrevivido"
Sara Santos conta tudo sobre o parto negligente que levou à morte da filha. "Eu podia ter morrido. Foi uma sorte ter sobrevivido"
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Durante uma sessão dedicada à união e ao espírito de entreajuda entre recrutas, a jornalista decidiu quebrar o silêncio e partilhar a dor que mudou para sempre o rumo da sua vida. Visivelmente emocionada, revelou que a perda da filha a levou num período de grande fragilidade emocional, do qual resultou uma depressão. "Passei por uma fase muito complicada depois de perder a minha filha", disse, perante os colegas.

A recruta explicou ainda que esse período foi marcado por comportamentos de fuga, numa tentativa de lidar com a dor, algo que acabou por gerar julgamentos externos. Um tema que, segundo a própria, contribuiu para um isolamento ainda maior numa fase já marcada pelo sofrimento.

Mais tarde, numa conversa privada com Noélia Pereira e Andrea, a concorrente voltou a abordar o assunto, detalhando as circunstâncias da morte da filha, que ocorreu durante o parto. Segundo relatou, o processo deu origem a uma longa batalha judicial, tanto em Portugal como junto do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

Ao recordar o momento do parto, Sara Santos descreveu uma situação de urgência clínica que, afirma, não foi devidamente valorizada. "Eu entrei já com contrações, ligaram-me o CTG e a minha filha já estava em sofrimento fatal", afirmou. Na sua perspetiva, a resposta médica não foi adequada à gravidade, acusando o profissional de saúde de negligência.

Apesar de o caso ter sido levado para tribunal, a jornalista revelou que o médico acabou por ser absolvido, não tendo existido qualquer indemnização.

Ainda assim, Sara Santos terminou o seu testemunho com uma mensagem positiva. "Nada nos acontece por acaso. Temos duas hipóteses: ou sais do poço e aprendes a viver (…) ou então afundas-te", concluiu, num dos momentos mais intensos vividos até agora na "1.ª Companhia".