Depois de emocionar o mundo ao revelar que a mãe não conseguiu viajar por questões financeiras, as autoridades amercicanas mexeram os cordelinhos. Ana Cândida Évora já está a preparar as malas para assistir ao próximo jogo de Cabo Verde.
Se não vive debaixo de uma pedra e está a acompanhar o Mundial 2026, certamente já se terá deparado com a história comovente da mãe de Vozinha, guarda-redes de Cabo Verde. Depois do empate frente a Espanha (0-0) e do jogador ter saído como o melhor homem em campo e herói de Cabo Verde, Vozinha terminou o jogo em lágrimas pela ausência da sua mãe e também pelas saudades das avós, que já morreram.
“Chorei porque fui criado com os meus avós e, infelizmente, já não estão cá, morreram há uns anos. Eles fizeram tudo por mim. E também porque a minha mãe não conseguiu cá estar por causa do dinheiro que tínhamos de pagar pelo visto, e não o conseguimos a tempo (…) gostaria que ela estivesse aqui”, disse em conferência de imprensa, depois do jogo.
O guarda-redes de 40 anos, que defendia a baliza do Chaves, em Portugal, até ao final desta época, começou a ganhar cada vez mais destaque nas redes sociais, não só pela história comovente, mas pela performance exemplar durante o jogo onde defendeu todos os remates de Espanha na estreia de Cabo Verde em Mundiais, o que deixou o mundo de boca aberta. Se antes do Mundial o jogador de Cabo Verde tinha cerca de 50 mil seguidores no Instagram, agora ultrapassa os 13 milhões.
É caso para dizer que há males que vêm por bem porque parece que Marco Rubio, secretário de estado dos Estados Unidos, mexeu os cordelinhos e a mãe de Vozinha vai mesmo ao Mundial. As autoridades norte-americanas anunciaram a isenção de taxas a familiares e garantem que Ana Cândida Évora, de 60 anos, vai conseguir obter um visto a tempo de assistir ao próximo jogo de Cabo Verde, contra o Uruguai, que se realiza em Miami, segundo avança a “Reuters”.
Cabo Verde estava entre os países onde os cidadãos têm de depositar cauções de até 15 mil dólares (quase 13 mil euros) para entrar nos Estados Unidos da América, dada a ampla ofensiva contra a imigração da administração de Donald Trump. A exigência apenar seria colocada de parte para quem tivesse bilhetes para ir ver jogos do Mundial, contudo, Ana Cândida Évora, que até então não tinha passaporte, explicou à Reuters que, quando esta informação foi anunciada, já tinha colocado de lado a possibilidade de fazer a viagem visto que os custos eram elevados.
A mãe do Vozinha já reagiu e não esconde a alegria. “Estou emocionada desde segunda-feira, estou muito orgulhosa. Nem tenho tempo para comer, mas é assim que queremos. [O Mundial] era o sonho do meu filho. Vão-me trazer uma mala e vou começar a preparar”, conta Ana Cândida Évora, citada pela “Lusa”, escreve o “Record”, que disse que já foi contactada e que aguarda a conclusão do processo para poder viajar, com passaporte e bilhete de avião incluído.
“Disseram-me que lá na Casa Branca, na América, têm esse expediente, porque cada jogador tem direito a ter lá a mãe e o pai. Agora é esperar para ir ver o segundo jogo. Ainda não sei quando vou”, mas garante que a mala estará pronta e que vai estar ao lado do filho no segundo jogo para o apoiar.
Cabo Verde prepara-se para enfrentar, na fase de grupos do Mundial 2026, as seleções do Uruguai, neste domingo, em Miami, e da Arábia Saudita, a 26 de junho, em Houston. Quanto às expectativas, as da mãe do jogador estão altas. “Vozinha vai defender a sua baliza, não vai deixar nenhum golo entrar até ganharmos”, disse.
