O “Investigação CM”, do “Correio da Manhã”, revelou a origem do processo que poderá levar Manuel Marques a responder em tribunal por suspeitas de maus-tratos à filha mais velha, Inês, cuja primeira declaração foi prestada para memória futura. A denúncia descreve um padrão de humilhações e agressões psicológicas que, segundo a jovem, se prolongaram durante anos e até terão envolvido outros familiares.
O primeiro episódio relatado na queixa remonta ao Natal de 2018. Inês, então com 11 anos, ajudava o pai a arrumar brinquedos quando se recusou a deitar fora um peluche oferecido pelo avô. A discussão agravou-se quando atirou o casaco ao chão. De acordo com o processo, o pai pegou no casaco e golpeou-a na cabeça com tal força que o fecho lhe abriu um ferimento, deixando a T-shirt e o chão com sangue.
Nos documentos, citados pelo “Correio da Manhã”, constam ainda insultos frequentes dirigidos à menor, como “cobarde”, “maricas”, “não serves para nada”, “não vais ser ninguém”, “desiste dos estudos” ou “burra”. Agora, veio a público um áudio entregue pela jovem à justiça, onde se ouve Manuel Marques perder o controlo por causa de um comprimido que a filha não conseguia engolir, que data de abril de 2020, já no âmbito do processo de regulação das responsabilidades parentais.
Uma das novidades é o resultado da análise forense ao telemóvel de Inês, que confirmou mensagens e chamadas alegadamente ameaçadoras. A jovem afirma que foi pressionada não só pelo pai, mas também pela avó paterna, pela tia (a apresentadora Ana Marques), e pela então namorada do ator, Beatriz Barosa, que terá tentado condicionar o seu comportamento. Enquanto Ana Marques mantém apoio público ao irmão desde o início do caso, Beatriz Barosa e vários amigos afastaram-se para não ficarem ligados ao processo.
O “Correio da Manhã” recorda ainda que a acusação inclui episódios de extrema gravidade. Num deles, o ator é acusado de incitação ao suicídio. “Se queres matar-te, escolhe: queres a faca ou os comprimidos? Os comprimidos são uma morte mais fácil”, terá dito alegadamente à filha. A investigação aponta igualmente que o pai terá ignorado os sinais de automutilação da jovem e lido os seus diários sem autorização, usando o conteúdo para a manipular emocionalmente.