Iara Ramos Nascimento, irmã de Cláudio Ramos, voltou a falar publicamente sobre o período em que esteve desaparecida e deixou críticas graves ao apresentador e a outros membros da família. A cabeleireira desapareceu a meio de outubro, em Vila Boim, Elvas, e só foi localizada uma semana depois, já em Madrid, onde acabou internada na ala psiquiátrica de um hospital.
Após receber alta e regressar a casa, Iara Ramos Nascimento tem recorrido às redes sociais para partilhar mensagens enigmáticas, mas este domingo, 16 de novembro, decidiu explicar tudo num vídeo de cinco minutos, marcado por desabafos e acusações diretas.
Começou por recordar o momento em que a sua vida começou a desestabilizar, após a morte do marido, Nuno Gama, há três anos. "Estive aqui a tentar arranjar uma maneira de começar este assunto. Costuma-se dizer que se começa do princípio, mas o princípio já foi há algum tempo, já foi há três anos", afirmou.
Num testemunho carregado de mágoa, a irmã do apresentador falou sobre a forma como diz que foi tratada pelas pessoas mais próximas, incluindo Cláudio Ramos. "Os que estão perto sabem aquilo que eu tenho passado, por isso é que cheguei onde cheguei. Por isso é que calei o que calei, porque vocês sabem que o meu irmão é uma pessoa visível... e à pala de uns, quase destrói outros. Porque ele sabia do que se estava a passar, se não sabia também foi falta de cuidado", afirmou, acrescentando que a situação "não são dois dias, foram três anos".
A cabeleireira referiu ainda que se sentiu excluída e responsabilizada por situações que não controlava, sem revelar nomes. "Puseram-me de parte, tiveram reações que eu não estava à espera, fizeram-me sentir culpada de tudo e mais alguma coisa... Foi extremamente desagradável o afastamento e a maneira como me tratavam".
No vídeo, Iara Ramos Nascimento voltou também ao dia em que decidiu fugir para Madrid, explicando que acreditava estar a ser seguida. "Quando fui para Madrid, a única coisa que eu queria era fugir, queria fugir de tudo. Isto parece a mania da perseguição e foi isso que me aconteceu, eu fui realmente perseguida por muita gente".
Admitiu que procurava apenas afastar-se. "Não estou aqui para enterrar ninguém, eu sei que sou adulta, que tenho de me organizar, mas acho que tem de haver uma responsabilidade civil, quando as pessoas fazem isto, isto que me fizeram é impensável."
O relato tornou-se ainda mais intenso quando descreveu as condições em que sobreviveu na semana em que esteve desaparecida. "O que é certo é que eu pus-me daqui para Madrid sem rumo, com uma paranoia que estava a ser perseguida. Vocês não têm noção do que passei, a perseguição que eu tinha na minha cabeça era tão grande, que cheguei ao ponto de estar na rua, a dormir debaixo de carros, sem comer, sem beber água, para me refugiar."
Iara Ramos Nascimento contou ainda que passou uma noite num telhado até ser encontrada. "Subi a um telhado, foi uma noite horrível. Quando amanheceu, eu estava a apreciar o nascer do sol. As pessoas viram-me, chamaram os bombeiros... Eu não queria que ninguém me apanhasse, só queria fugir de tudo e todos". Depois de tentar escapar saltando para árvores, acabou por ceder e permitir que a ajudasse. "Os bombeiros tentaram tudo, até que eu decidi, por mim, que não queria mais estar aqui".
O vídeo espalhou-se pelas redes sociais, dando que falar sobre a relação da cabeleireira com a família.