As investigações aos alegados abusos por parte do cantor espanhol Julio Iglesias a duas ex-funcionárias continuam. Depois de ser conhecido na terça-feira, 13 de janeiro, que o artista de 82 anos se encontrava no centro de acusações graves após a divulgação de uma investigação feita ao longo de mais de três anos, que aborda temas como agressão sexual e maus-tratos, foi ao final do dia de quarta-feira, 14, que se anunciou que o Ministério Público de Espanha estava pronto para ouvir o depoimento das mulheres. Julio Iglesias, alegadamente, está a preparar a sua defesa.
A notícia foi avançada pelas advogadas das duas queixosas, que fazem parte da organização não governamental Women’s Link Worldwide, segundo o jornal "Observador". Na condição de testemunhas protegidas (ou seja, as suas identidades não serão reveladas), as mulheres vão conseguir assim falar sobre a queixa que apresentaram à justiça espanhola no passado dia 5 de janeiro, onde afirmaram ter sofrido "várias formas de violência", nomeadamente sexual, económica e psicológica, "às mãos de Julio Iglesias".
Poucas horas depois deste anúncio, o cantor espanhol foi abordado pela revista "Hola" para falar sobre o assunto, mas foi vago nas suas palavras e garantiu que não iria falar sobre o caso até que chegasse o momento certo para tal. "[Julio Iglesias acredita que] Não é o momento certo para se pronunciar, mas garantiu-nos com muita certeza que esse momento chegará em breve", escreveu a publicação. Além disso, a revista espanhola garantiu que o artista de 82 anos está a preparar a sua defesa, e que quer ver toda esta situação bem esclarecida.
A investigação divulgada no início da semana sobre Julio Iglesias reuniu testemunhos de duas antigas funcionárias do artista que o acusam de agressão sexual, maus-tratos e coação, alegadamente ocorridos nas residências do cantor na República Dominicana e nas Bahamas.
As mulheres, contratadas como empregadas domésticas, afirmaram que as funções exigidas ultrapassavam o que constava nos contratos, com o ambiente de trabalho a ser marcado por "controlo rigoroso, assédio contínuo, insultos e humilhações".
Uma das funcionárias descreve ter sido chamada repetidamente ao quarto do cantor, onde alega agressões sexuais sem consentimento. "Ele mandava-a chamar ao seu quarto (…), penetrava-a com os dedos anal e vaginalmente". A outra vítima relata contatos forçados, como toques nos mamilos e beijos não consentidos, e a investigação aponta ainda que muitos destes episódios terão ocorrido com o conhecimento, e por vezes com a participação, de uma funcionária de nível superior.
Os factos terão ocorrido em 2021, altura em que uma destas mulheres tinha apenas 22 anos. Ambas descrevem as condições de trabalho como "quase de sequestro", incluindo vigilância constante, isolamento e limitações graves à liberdade de circulação, e algumas funcionárias relatam ainda que era esperado que mantivessem relações sexuais com o cantor várias vezes por semana. A investigação inclui também depoimentos de outras mulheres que trabalharam para Julio Iglesias entre o final dos anos 1990 e 2023, descrevendo um "clima insuportável" e o carácter explosivo do artista.