Maria Borges rompeu o silêncio esta sexta-feira, 28 de novembro, ao partilhar com os mais de três milhões de seguidores no Instagram um testemunho que descreve como um dos mais difíceis da sua vida. “Esta é a minha história. É difícil partilhar, mas é real. Espero que ajude alguém a sentir-se menos sozinho... Estou com [as] vítimas e sobreviventes de violência doméstica”, escreveu a supermodelo angolana.

Anunciando publicamente que foi vítima de violência doméstica ao longo de uma década de relação, a manequim identificou o ex-companheiro, Perikles Balde Fernandes Mandinga, pai da sua filha, como o responsável por anos de agressões físicas, psicológicas e financeiras. As declarações surgiram acompanhadas de vários registos fotográficos do ex-marido.

Maria Borges afirmou que nunca tornou pública esta realidade “porque tinha vergonha e medo”. No texto que publicou, ainda é clara sobre o padrão de violência que diz ter vivido. “Abusou de mim de todas as formas possíveis. Experimentei abuso físico, emocional e financeiro. Ele também levantou a mão contra as mulheres da minha família", afiançou.

"Ao longo destes anos, chamei a polícia inúmeras vezes", contou, dizendo que tem "relatórios policiais de violência doméstica nos Estados Unidos e em Portugal", a par de "provas de tudo" aquilo que alega. "Tenho a custódia total da minha filha nos Estados Unidos e documentos que provam que ele nunca nos deu um único cêntimo para nos sustentar", acrescentou.

A supermodelo explicou ainda que a ausência de pais e de uma rede protetora a tornou mais vulnerável. “Estava profundamente apaixonada e acreditei nas suas boas intenções, não assinei um acordo pré-nupcial e ele roubou-me centenas de milhares de dólares, incluindo propriedades que ele nunca contribuiu financeiramente para adquirir”, afirmou, dizendo que parte deste processo aconteceu enquanto sustentava a família sozinha.

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O testemunho inclui também episódios de traição durante a gravidez. Maria Borges relatou que o ex-companheiro “engravidou outra jovem mulher e mudou-a" para a sua casa em Portugal e sem o seu consentimento, apesar de continuarem casados. Segundo descreve, a nova companheira passou a usar a sua roupa, o seu perfume e chegou mesmo a provocá-la para uma disputa física. "Eu não a culpo. Ela também é vítima de manipulação e abuso", explicou.

Maria Borges afirmou ainda estar “legalmente ligada” a Perikles Mandinga, alegando que ele se recusa a conceder o divórcio a menos que tenha “acesso a todo o [seu] dinheiro”. Garante que o homem continua a ocupar a casa que a modelo diz ter adquirido com anos de trabalho, tendo todos "os seus pertences, os pertences dela e os pertences do novo bebé deles" permanecido na habitação.

No fim, terminou o testemunho com duas mensagens diretas. O facto de, por um lado, considerar que “este homem é um perigo para a sociedade” e, por outro, que o que procura agora é simples: "segurança" para si e para a filha.

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A violência doméstica é crime público e pode ser denunciado por qualquer pessoa.

Contactos úteis

  • Linha SMS 3060 (denúncia por mensagem)
  •  116 006 (Linha de Apoio à Vítima)
  • 800 202 148 (7 dias por semana, 24 horas por dia)
  • violencia@cig.gov.pt
  • Queixa electrónica aqui

Mais informações:

Porta da Violência Doméstica
APAV