A costela de novilho com vinho Madeira do chef do Desarma foi um dos pratos mais procurados do festival. À MAGG, Octávio Freitas assumiu a ambição: quer a segunda estrela Michelin.
No seu segundo ano no Parque Marechal Carmona, em Cascais, o Chefs on Fire provou que não é um espaço maior e mais distribuído que dificulta o acesso a alguns pratos e, este sábado, 19 de setembro, o chef madeirense Octávio Freitas cumpriu a prova dos 9 ao ser das propostas mais requisitadas do festival, mesmo estando na zona do palácio, na ponta oposta da entrada principal do evento.
Na estreia do Palco Madeira no Chefs on Fire (uma iniciativa que pretende dar visibilidade a regiões portuguesas, tal como já vem acontecendo com os palcos internacionais), o responsável pela cozinha do Desarma, restaurante instalado no 11.º piso do hotel The Views Baía, no Funchal, cativou o paladar dos visitantes com uma costela de novilho com texturas de cebola que foi dos primeiros pratos a terminar depois de tanta procura.
“A escolha deste prato tem que ver com uma tradição que nós temos, que são as carnes de longa cozedura na Madeira. Tenho aqui uma costela de longa cozedura, uma longa cozedura que finalizamos aqui no fogo, caramelizada com uma redução de vinho Madeira, não é? Como não podia deixar de ser. Estamos a caramelizar a peça toda com uma redução deste vinho”, contou o chef à MAGG.

“O prato acompanha só com texturas de cebola, ou seja, temos uma cebola branca que foi feita um pré, com mostarda, temos uma cebola que está a ser assada ali a meio das brasas, que é fumada, e depois é feito um pickle, usamos um vinagre muito fresco, o que dá um toque muito refrescante ao prato, leva cebolinho, umas lascas de lima, e este é um dos pratos que faz parte do Desarma, que tem uma estrela Michelin, e é o prato da carne da minha carta, que foi adaptado para o Chefs on Fire”, contou Octávio Freitas.
Sobre a visibilidade que este tipo de eventos trazem para o espaço que lidera no Funchal — aberto desde 2023 e que conseguiu conquistar a sua primeira estrela Michelin logo no ano seguinte —, o chef não tem dúvidas que é uma montra incrível do seu trabalho.“Estou neste momento há cinco horas a cozinhar, e não paramos. Esta fila aqui é incrível, enche-me a alma ver as pessoas que nos estão a conhecer, a saber quem é o Octávio, o que é o Desarma. Estes eventos de facto são incríveis, isto é uma oportunidade única para aproximar as coisas. Esta partilha inteligente de gastronomia, dou a conhecer a marca Desarma, a marca Octávio, dou a conhecer gastronomia, dou a conhecer a ilha da Madeira.”
E para quem ainda não ouviu falar do Desarma, nada melhor do que o próprio chef explicar. “É um restaurante situado na Madeira, não é um restaurante tradicional, não é um restaurante regional, é um restaurante com chef madeirense, e é assim que eu costumo e gosto de classificá-lo. Há uma identidade ali naquele restaurante que tem muito que ver com a terra onde eu nasci, sou madeirense, e obviamente que há uma influência de uma pessoa que nasceu e é apaixonada pela sua ilha, e isto tem um reflexo enorme no Desarma.”
“É uma cozinha contadora de histórias, até porque eu adoro histórias também, e é assim que eu gosto mesmo de descrever aquilo que acontece no restaurante, é um sítio onde se contam histórias através da comida. Funcionamos com menu degustação, temos o menu de nove momentos e o menu de 12 momentos. Os meus snacks representam uma festa madeirense, é um arraial, e então são petiscos que se comem nos arraiais, Tenho outro prato que se chama 500 anos. E 500 anos é a idade que a Madeira foi descoberta, e tenho uma sobremesa que são pedras, e que descrevem a parte do vinho Madeira, do açúcar e do mel de cana. Vou só falar destes que não posso contar o menu todo”, revelou, entre risos.
E Octávio Freitas não esconde a ambição de chegar à segunda estrela Michelin.”Vou no terceiro ano e trabalho neste grupo há 20 anos. Já renovei a estrela três vezes — mas a estrela não é só para manter, eu quero ganhar duas. E acho que isto tem que ser assumido, quem não tem vontade de dizer, não tem vontade, eu tenho vontade. E está tudo certo, não tem problema nenhum em dizer o que é que se quer.”
O segundo e último dia de Chefs on Fire acontece este domingo, 20 de setembro, com as portas do recinto do Parque Marechal Carmona a abrirem a partir do meio-dia. Ainda há bilhetes disponíveis para este segundo dia, com preços desde 50€ para o bilhete simples (sem comida ou bebida), 85€ para o bilhete individual (5 pratos e 2 bebidas), 20€ para o bilhete kids e outras modalidades de bilhetes combinados.
