Nathalie Inês sente a responsabilidade de melhorar ou estragar uma refeição com uma sobremesa — e foi mais que certeira no Chefs on Fire

A chef de pastelaria do Sála estreou-se a solo no festival com uma sobremesa fumada de figos, vinho e frutos secos que engana os olhos e não joga nada pelo seguro.

Seja numa tasca, num restaurante trendy ou num espaço de alta cozinha, todos sabemos que o final da refeição pode estragar completamente a experiência. Uma má sobremesa no fim de um desfile de pratos maravilhosos deixa uma má memória e pode contribuir para que não nos recordemos facilmente do local para uma nova visita — aquela sensação de “ahh, não correu assim tão bem”. Por outro lado, o chamado fechar com chave de outro com uma proposta doce bem conseguida é a cereja no topo do bolo e deixa no nosso cérebro o rótulo de “10/10”.

Essa responsabilidade é mais do que entendida por Nathalie Inês, a chef de pastelaria do Sála de João Sá, restaurante com uma estrela Michelin. A chef brasileira radicada em Portugal estreou-se no Chefs on Fire a solo (tendo já acompanhado as equipas de João Sá em duas edições) com uma sobremesa, como não podia deixar de ser, e comentou com a MAGG a importância de finalizar na perfeição uma refeição, seja no seu contexto habitual de restaurantes de alta cozinha ou num festival de gastronomia.

Da Madeira para o Chefs on Fire. Octávio Freitas conquistou Cascais com este prato (e já sonha com a segunda estrela Michelin)
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“É o final do menu, tal qual como o snack é o principal, que dá o início e que a pessoa tem aquela ânsia de continuar. A sobremesa ela finaliza, é o que deixa a memória para uma próxima visita, quase como um xeque-mate. Espero que aqui eu consiga cumprir bem esse papel. O pessoal vai rodar, vai comer o porco, vai comer o peixe, e fazer uma sobremesa que não corresponde pode estragar um menu incrível. É uma grande responsabilidade. Eu, para mim, como pessoa da confeitaria, fico com uma pressão psicológica grande”, diz a chef.

Sobre a escolha da sobremesa para o festival, Nathalie Inês optou por uma alheira doce, e tudo por entender que o Chefs on Fire é um palco gigantesco e não dá para jogar pelo seguro. “Não dá pra vir com um sorvete, tá me entendendo? Não dá pra vir com uma coisa que derrete, porque estamos a lidar com fogo e calor.
Estamos aqui com uma alheira doce, porque a gente precisa sair do normal. A verdade é que o meu chefe, o chef João, ele simplesmente falou assim pra mim, ‘Nathalie, você não pode chegar lá com uma coisa assim, você não pode chegar lá com um bolo, com uma torta. É o Chef’s on Fire, você tem que trabalhar com o fogo, tem que ter um fumo'”, recorda a chef pasteleira.

“Me deu várias ideias, e comecei a idealizar na minha cabeça. Ok, vamos fazer enchidos. Vamos rechear a tripa do corneiro com doce. Vamos ficar botando fumo naquela tripa o dia inteiro e aí vai acontecer.No recheio, tem figos hidratados com vinho, pinhão, amêndoas, banha de porco, brioche. Tá gorda, a sobremesa tá gorda. E, para acompanhar, ovos estrelados e batata frita de mentirinha”, contou à MAGG, realçando que fazer uma sobremesa no festival é “desafiante”.

Nathalie Inês foi também uma das várias mulheres a cozinhar em nome próprio no festival, numa edição que bateu o recorde de mulheres no cartaz. “Nossa, eu acho que é muito reconhecimento”, disse a chef sobre a estreia a solo. “Estou me achando muito! Não tenho noção! Eu até mandei um vídeo hoje para o chef João”, concluiu.

A próxima edição do Chefs on Fire já tem data. O Pop Up Foz Côa acontece a 24 e 25 de outubro no Parque Arqueológico do Vale do Côa e os bilhetes já estão à venda desde 40€ para bilhete individual e 20€ para kids.

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