Depois de dois anos do encerramento do Boi-Cavalo, o chef assume os comandos de uma tasca no coração lisboeta. Saiba tudo.
O Alpendre é o novo desafio do chef Hugo Brito, que, depois de vários anos a assumir os comandos do restaurante Boi-Cavalo, encerrado em 2024, com foco na cozinha de autor, volta agora a entrar no jogo e a apostar todas as fichas numa tasca portuguesa com bons petiscos.
O Alpendre situa-se junto da Sé de Lisboa, em Alfama, mesmo no meio de toda a confusão da cidade entre lojas de lembranças e de quinquilharias turísticas. Durante décadas, o espaço do Alpendre funcionou como uma tasca típica, com peixes e carnes expostos na montra para a rua, e em junho iniciou uma nova fase.

A ideia não passa por ter uma cozinha autoral, à semelhança do que acontecia no Boi-Cavalo, mas brincar com os produtos sazonais e fazer deste local uma verdadeira tasca portuguesa, com comida conforto que tenha o poder de apaixonar turistas e residentes.
A refeição começa a refeição com um couvert que não pode faltar numa mesa portuguesa, composto por pão, manteiga, azeitonas e pasta de sardinha (2,50€), bem como por um queijo fresco com azeite (3,50€). Nas entradas, existem várias propostas gulosas como pastel de bacalhau (2,50€), croquete de entrecosto (3,50€), gambas fritas (18,50€), berbigão à Bulhão Pato (11€) e chouriço assado e picles (10€).
Nos pratos principais existem vários clássicos, como o bacalhau assado com batatas a murro (23,50€), bacalhau à Brás (16,50€), polvo à Lagareiro com batatas a murro (26€), arroz de peixe e marisco (20,50€), pastéis de bacalhau com arroz de tomate (12,50€), robalo grelhado (22€) e sardinhas assadas (17€).
Se preferir carne, existem três pratos para provar, o bitoque à Alpendre (14,50€), costeleta de porco panada com salada russa (18€) e frango à passarinho com piri-piri (meio por 14€). Há ainda espaço para duas propostas vegetarianas, a tortilha à espanhola (12,50€) e ervilhas com ovo escalfado (14€).
Se quiser um acompanhamento extra, pode pedir grelos salteados (3,50€), arroz de tomate (3€), batatas fritas (2,50€) e salada Alpendre (3€). Para terminar, a carta conta apenas com três sobremesas tipicamente portuguesas que prometem fazer as delícias dos mais gulosos com a clássica mousse de chocolate (5€), bolo de bolacha (6€) e pudim flan (5€).
E, se já conhecia o Boi-Cavalo, que também ficava em Alfama, sabe que ir para o meio da confusão valia sempre a pena. Mas se não o conhecia e se se está a perguntar se vale mesmo a pena fazer uma visita ao Alpendre, a MAGG fez esse trabalho por si e contamos-lhe como foi a nossa visita.
Não houve um prato que não fosse de comer e chorar por mais

A nossa experiência começou logo ao entrar no Alpendre. É um espaço pequenino, com algumas mesas, e bastante acolhedor, que nos transporta logo para o ambiente de uma típica tasca portuguesa. Começámos por provar croquetes de entrecosto com mostarda (3,50€) que estavam divinais e atrevemo-nos a dizer que foram dos melhores croquetes que já comemos nos últimos tempos. Contudo, este petisco diferencia-se de todos os outros. Não é tão cremoso, como o habitual, e é mais composto. Além disso, é composto por entrecosto e não porco, o que deu um sabor diferente, mas igualmente irresistível.
Seguiu-se berbigão à Bulhão Pato (11€). Sim, leu bem. Ao olhar para a carta, reparámos logo que não existiam as clássicas amêijoas à Bulhão Pato, mas sim berbigão. São através destas pequenas mudanças e apontamentos, tal como nos croquetes, que o chef Hugo Brito quer marcar a diferença, sem perder a qualidade ou o sabor dos pratos tradicionais. Esta proposta, levemente picante, é uma verdadeira surpresa, porque é simplesmente deliciosa. Não precisa de mais palavras: é simples, reconfortante e viciante, sendo acompanhada por pedaços de pão de interior macio e exterior crocante, perfeitos para aproveitar o molho.
E depois destas duas delícias, chegou à mesa o bacalhau à Brás (16,50€), mas não qualquer um. Antes de criar este prato, o chef percorreu quase todos os restaurantes portugueses para provar esta receita. Tudo isto para tentar trazer o melhor para o Alpendre – e o resultado não podia ter sito melhor: cremoso, como é suposto, e difícil de se esquecer (verdade seja dita, ainda estamos a pensar nesta delícia).
Além disso, o chef decidiu dar um toque pessoal visto que estava farto de este prato ter uma caramelização muito grande da cebola, ficando doce demais – uma pequena mudança que, a nosso entender, elevou ainda mais o prato, que foi acompanhado por salada Alpendre (3€). O bacalhau à Brás tinha azeitonas e ainda batata palha crocante por cima, que tornou o prato melhor ainda melhor.
Provámos ainda a costeleta de porco panada com salada russa (18€), que impressionou logo pelo tamanho. Se está a pensar vir a este espaço acompanhado, este é um prato que dá perfeitamente para dividir. Mais uma vez, ficámos rendidos ao sabor, à textura da carne e à combinação com a salada russa cremosa.
Para terminar em tom doce, provámos as três sobremesas do Alpendre e temos a nossa preferida. Começámos por provar o pudim flan (5€), onde o caramelo leva um discreto toque de água de flor de laranjeira, seguida pela a cremosa mousse de chocolate (5€), que promete fazer as delícias aos mais gulosos. Mas foi o bolo de bolacha Maria que nos conquistou de início ao fim. Quando se fala deste doce, existe sempre aquele debate entre quem prefere natas ou manteigas. O chef decidiu utilizar os dois ingredientes e o resultado é uma combinação cremosa, equilibrada e simplesmente deliciosa.
O veredicto? Vale a pena entrar no meio da confusão de Alfama e sentar-se à mesa do Alpendre. A proposta de Hugo Brito recupera a essência da tasca portuguesa, sem se limitar aos clássicos de sempre e sem perder a alma da cozinha de conforto. Entre petiscos, pratos principais e sobremesas, saímos com duas certezas: esta é uma morada a guardar e um espaço para regressar.
Veja as delícias que pode comer.
Alpendre
Morada: R. Augusto Rosa 34, 1100-059 Lisboa
Horário: Todos os dias das 12h às 23h
Contactos: 961 910 950 / Instagram





