Laurentina. O paraíso do bacalhau fez 50 anos e fomos provar os sabores que fizeram parte da sua história. Como correu?

Há por aí fãs de bacalhau? Então tem de ir a este restaurante que celebra cinco décadas de história. A MAGG fez exatamente isso e contamos-lhe como correu.

Divulgação. Créditos: Gonçalo Santos

Existem poucos restaurantes que chegam às cinco décadas de história e que conseguem manter a identidade que lhes deu a origem, mas é esse o caso do Laurentina – O Rei do Bacalhau. Fundado em 1976 por António Francisco Pereira, este restaurante é uma referência incontornável da gastronomia portuguesa e um paraíso para os amantes de bacalhau.

O bacalhau é muito consumido em épocas festivas, como no Natal, mas neste restaurante, há bacalhau durante todo o ano. A ideia é respeitar o produto, preservar a tradição e oferecer uma experiência genuinamente portuguesa.

Atualmente, o Laurentina – O Rei do Bacalhau é gerida pelos filhos de António Francisco Pereira, Rita e Marco Pereira, que mantêm viva a herança do pai, com uma gestão mais contemporânea e adequada às exigências atuais.

“Nós honramos o trabalho que os pais fizeram. Aproveitámos as raízes, bases e pratos emblemáticos como a couvada e estamos ainda mais especializados em bacalhau. Também temos pratos de Moçambique como camarão tigre e moqueca de bacalhau”, detalha Marco Pereira, num almoço no Laurentina – O Rei do Bacalhau, no qual a MAGG esteve presente.

Rita e Marco Pereira, filhos de António Francisco Pereira. Créditos: Gonçalo Santos

Mas a história deste restaurante começa muito antes da abertura em Lisboa. Natural do Fundão, António Francisco Pereira tinha apenas 20 anos quando fez uma viagem de navio para Moçambique. Em Lourenço Marques (atual Maputo), fundou o restaurante Leão D’Ouro, onde desenvolveu uma paixão pela gastronomia, nomeadamente pelo bacalhau, tendo-se inspirado nas receitas da sua terra, Beira Interior, e nos sabores africanos.

António Francisco Pereira viveu em Moçambique durante 25 anos, tendo voltado para Portugal em 1976, quando se deu a independência de Moçambique. Contudo, o bichinho pela cozinha falou mais alto e abriu o restaurante Laurentina – O Rei do Bacalhau, e o nome não foi escolhido ao acaso.

Da lagosta às sobremesas. Fomos provar os novos sabores de verão do Praia no Parque e ficámos rendidos a estes pratos
Da lagosta às sobremesas. Fomos provar os novos sabores de verão do Praia no Parque e ficámos rendidos a estes pratos
Ver artigo

Muitas pessoas pensam que Laurentina é o nome da nossa avó ou cozinheira, mas não tem nada que ver“, começa por explicar Marco Pereira. “Na altura meteu o nome Laurentina para as pessoas reconhecerem que ele esteve lá [Lourenço Marques]”, acrescentou. Isto porque o nome dado aos habitantes de Lourenço Marques era laurentinos. Além disso, o nome também foi escolhido para homenagear a cerveja moçambicana Laurentina.

A ideia de criar um menu com influências beirãs, sabores moçambicanos e pratos tradicionais portugueses veio para responder a uma lacuna no mercado. “O meu pai percebeu que em Lisboa não havia nenhum restaurante especializado em bacalhau e como as pessoas só queriam o bacalhau, por graça meteu o nome “Rei do Bacalhau”“, explica o filho.

Aqui, a origem e a tradição foram e são levados com bastante zelo e rigor. António Francisco Pereira ia pessoalmente ao Fundão, ao volante da sua carrinha, escolher os produtos para a cozinha do Laurentina, que ainda hoje chegam das mesmas terras e de fornecedores, alguns há mais de 20 anos. Do azeite às batatas ou às couves, a excelência do produto da terra mantém-se com a segunda geração da família, que mais tarde introduziu novos pratos como pataniscas de bacalhau, bacalhau com natas e à brás.

E não, o bacalhau servido no restaurante não vem da Noruega, mas sim da Islândia e há uma razão para isso. “Desde sempre que nos especializamos em bacalhau vindo da Islândia. É um bacalhau com mais qualidade do que o da Noruega. É uma pesca mais artesanal, não tão industrializado como na Noruega”, afiança Marco Pereira.

O que provar no Laurentina – O Rei do Bacalhau?

Créditos: Gonçalo Santos

Muito bacalhau, claro. O que começaram por ser dois pratos de bacalhau grelhado e cozido, e dois de carne, tornaram-se em 12 pratos deste icóne da gastronomia portuguesa. Para começar, há uma seleção de petiscos tradicionais, entre eles um couvert com pão massa mãe artesanal, broa caseira, manteiga e azeitonas temperadas (3,25€), pastel de bacalhau (2,45€), mini patanisca de bacalhau (2,45€) e queijo de ovelha amanteigado artesanal (7,50€).

Nas entradas, não há como resistir à patanisca gulosa (4,25€), ovos rotos de bacalhau (16,50€), salada de polvo (14,50€), camarões à guilho (17,50€), meia desfeita de bacalhau com grão (18,50€), bolinhas crocantes de alheira (9,50e), chamuça exótica (6,50€), mini sopa alentejana de bacalhau (8,50€) e sopa do dia (4,50€).

Nos pratos principais, a estrela é o bacalhau (claro), podendo escolher entre 12 pratos com esta iguaria: bacalhau lascado especial (25,50€), bacalhau à Brás (22,50€), bacalhau com broa (23,50€), bacalhau com natas e espinafres (27,50€), pataniscas de bacalhau (19,50€), bacalhau coroado à Laurentina (24€), arroz de bacalhau e espinafres (25€) e rabos de bacalhau (19,50€).

Feitoria. Comer neste restaurante Michelin está mais acessível do que nunca. Saiba como e o que pode provar
Feitoria. Comer neste restaurante Michelin está mais acessível do que nunca. Saiba como e o que pode provar
Ver artigo

Se preferir, pode pedir várias opções para partilhar entre duas pessoas, como o bacalhau à minhota (54€), bacalhau alto assado (58€), bacalhau alto cozido (50€) e a famosa couvada de bacalhau à Pereira da Laurentina (52€), um dos pratos que mais tem saída.

Pode ainda por optar pelo prato do dia ao longo da semana. Na segunda-feira há migas de bacalhau com feijão-frade e couve (17,50€) e na terça pode comer bacalhau à Gomes de Sá (18,50€), enquanto na quarta há bacalhau espiritual (18,50€). Na quinta-feira pode provar açorda de bacalhau e gambas (17,50€) e na sexta bacalhau à Zé do pipo (18,50€).

Os sabores de Moçambique também ganham destaque com a moqueca de bacalhau (26,50€) e os camarões tigre à Moçambicana (45€). Além disso, pode encontrar alguns pratos da cozinha portuguesa para matar a gula, como secretos de porco (19,50€), lombo de robalo grelhado (24,50€), polvo à lagareiro (32€) e bife do lombo à Laurentina (28€) para quem é fiel à carne.

Se preferir algo mais leve, então a escolha mais certeira será a salada Laurentina (19,50€) com grão-de-bico coberto por lascas de bacalhau, ovo tomate, azeitonas, salsa e cebola picada. E se é vegetariano não há desculpas para riscar da lista este restaurante porque pode comer brás de legumes com batata frita e ovo (18,50€) ou salada de requeijão com nozes, mel, rúcula, alface e maçã (17,50€).

Para sobremesa, há arroz doce (5,50€), baba de camelo (6,50€), delícia de chocolate com sorbet de morango (8,50€), leite de creme queimado (6,50€), pastel de nata caseiro e gelado de baunilha com macadâmia (9,50€), exótico de coco com molho de cereja do Fundão (7,50€) e mousse de chocolate 70% cacau (6,50€). Há ainda salada de frutas (7,50€) e fruta da época.

Para acompanhar, a garrafeira conta uma seleção cuidada de mais de 50 referências de vinhos portugueses de várias regiões, desde o Douro a Dão, passando pelo Alentejo, Tejo, Beiras, entre outras, com tintos, brancos, rosés, verdes e espumantes. E para momentos especiais, há ainda o champagne Moët & Chandon Brut Impérial e o Veuve Clicquot Ponsardin Brut.

Não podíamos ter ficado mais fãs do bacalhau

A nossa experiência começou com umas mini pataniscas de bacalhau (2,45€) que estavam tão boas que quase que ficámos com pena quando acabaram. E claro que refeição que é portuguesa tem de ter um cestinho de pão e desta vez não foi exceção. Comemos pão massa mãe artesanal, broa caseira, manteiga e azeitonas temperadas (3,25€), que é tudo o que uma refeição precisa para começar bem, sem esquecer o vinho a harmonizar, que no nosso caso foi o vinho branco Malhadinha 2023.

Nas entradas, provámos ainda uma salada de polvo (14,50€), ideal para comer nos dias mais quentes do verão, bem como chamuças exóticas (6,50€). Devemos dizer que, inicialmente, não estávamos com muitas expectativas para comer as chamuças, no entanto, surpreenderam logo à primeira dentada, apesar de ser ligeiramente picante.

Nos pratos principais, tivemos a oportunidade de provar três pratos de bacalhau que foram todos, sem exceção, de comer e chorar por mais. Começámos pelo bacalhau à Brás, ótimo (22,50€), que nos fez lembrar da receita que só as avós sabiam fazer e que ninguém consegue replicar (ou quase ninguém). 

Veja as delícias que pode comer no Laurentina – O Rei do Bacalhau. 

+14

E claro que provámos o prato mais emblemático do restaurante, couvada de bacalhau à Pereira da Laurentina (52€) à maneira da Beira Interior, que só pelo tamanho impressiona. E apesar de ser um prato não muito complexo, é a prova viva do que o simples é bom. O prato foi acompanhado por batatas, couves e azeite quente com alho que faz toda a diferença, bem como por vinho Roquette & Cazes 2022 que caiu que nem uma luva . É, sem sombra de dúvidas, um clássico a repetir, contudo, é um prato para dividir com outra pessoa porque a dose é generosa. Mas o bacalhau alto assado em posta (58€) com batata a murro, ovo e verdura salteada não ficou para trás, e é outro clássico que vale a pena provar.

E quando pensávamos que a refeição não poderia ficar melhor, vieram as sobremesas que fizeram as nossas delícias. Começámos por um ótimo leite de creme queimado (6,50€), seguido pelo pastel de nata caseiro com uma bola de gelado de baunilha com macadâmia que estava divinal (9,50€).

Mas foram as duas últimas sobremesas que deixaram o nosso estômago em festa. O exótico de coco com molho de cereja do Fundão (7,50€) é tudo o que uma sobremesa pede: fresca, cremosa e deliciosa. Já a baba de camelo (6,50€) foi mais uma cereja no topo do bolo. E desengana-se quem pensa que esta baba de camelo é igual às que já provou porque esta versão foge ao habitual e até é melhor. Graças às folhas de gelatinas, tem uma consistência diferente, mais firme, estruturada e aveludada – e não tão líquida como estamos habituados. O resultado é uma versão mais delicada, equilibrada e irresistível que encanta qualquer guloso.

O Laurentina – O Rei do Bacalhau está aberto de segunda-feira a sábado, do meio-dia às 16 horas para almoços, e novamente das 19 às 23 horas para jantares, sendo que aos domingo e feriados está encerrado. Se preferir, pode optar pela opção de delivery ou take-away. As reservas são aconselhadas e podem ser feitas através dos contactos telefónicos 962 959 725 e 217 960 260, ou online.

Laurentina - O Rei do Bacalhau

Morada: Avenida Conde Valbom 71A, Lisbon, Portugal 1050-067

Horário: Das 12h às 16h e das 19h às 23h (encerrado ao domingo e feriados)

Contactos: 962 959 725 / info@restaurantelaurentina.com / Site / Instagram

Fale connosco

Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado.
Scroll to Top