Omakase não é apenas uma forma de comer sushi, é um estilo de vida. Vindo do Japão, a palavra significa confiar no instinto do chef e traduz uma experiência onde o cliente abdica da carta e entrega-se por completo às mãos de quem está atrás do balcão, que decide o que servir, quando e como.
Cada peça é escolhida no momento, preparada à frente dos convidados e servida ao ritmo da frescura do peixe, da sazonalidade e da inspiração de quem está do outro lado da bancada.
Em Portugal, este conceito tem vindo a ganhar cada vez mais espaço, com restaurantes intimistas, poucos lugares e menus que mudam diariamente. Mais do que uma refeição, o omakase é um ritual silencioso, onde o gesto, a técnica e o respeito pelo produto transformam o sushi numa experiência pensada para ser vivida sem pressas e sem escolhas.
A pensar nisso, a MAGG reuniu sete spots para comer omakase na capital e no Porto, desde balcões discretos com menos de dez lugares a restaurantes que ajudaram a popularizar o conceito no País. Ainda assim, todos partilham o mesmo conceito: confiança e entrega total ao chef. Espreite as nossas sugestões.
Mimi by Yakuza, Lisboa
O Mimi by Yakuza vai além de um simples restaurante de omakase, é uma experiência imersiva e cuidada, pensada para apenas 30 pessoas, onde o sushi é levado a sério.
Idealizado por Olivier da Costa e conduzido pelo chef Alex Hatano, este espaço intimista cruza a tradição japonesa com uma abordagem contemporânea, sempre com rigor, inovação e respeito.
Aqui, o menu muda diariamente, consoante o que chega ao restaurante. Entre os protagonistas estão opções que juntam o melhor de Portugal, desde sabores algarvios até açorianos. A carta conta com ostras do Algarve, pargos de Sagres, cavalas dos Açores e lulas frescas. O menu omakase tem o valor de 98€ por pessoa e não inclui bebidas.
Mitsu, Lisboa
O Mitsu é um daqueles restaurantes que parecem ser um segredo bem guardado. Com apenas 14 lugares ao balcão, este espaço eleva o conceito de omakase a um novo patamar, apostando numa experiência intimista, silenciosa e altamente focada no gesto e na técnica do chef Shin Koike, natural de Tóquio.
Tudo gira em torno do sushi tradicional, com ingredientes frescos e cuidadosamente selecionados. Da carta destacam-se os nigiris de robalo e salmão, sashami de atum e carapau, foie gras salteado e sopa de miso vermelho com amêijoa. O restaurante funciona por turnos, um às 19 horas e outro às 21 horas, e a experiência do omakase do Misty tem o valor de 110€ por pessoa, sem bebidas incluídas.
IRÚ Omakase, Lisboa
No IRÚ, a experiência gastronómica é levada a um nível quase cerimonial. Com apenas oito lugares por serviço, o espaço aposta num ambiente minimalista e exclusivo, onde não há carta à vista nem decisões a tomar.
O menu é composto por 15 pratos, desenhados diariamente com base nos ingredientes frescos adquiridos nessa mesma manhã. Para beber, a carta apresenta opções pensadas ao detalhe para acompanhar a fluidez da proposta gastronómica. O restaurante tem dois turnos, um com início às 19 horas e outro às 21h30, e o valor da experiência de omakase é de 90€ por pessoa.
Yōso, Lisboa
No Yōso Omakase, cada detalhe é pensado para oferecer uma experiência intimista e personalizada. Com um espaço que acolhe apenas 10 pessoas, os clientes são convidados a fazer uma viagem sensorial ao longo da refeição, com técnicas tradicionais japonesas e produtos frescos do dia, conduzida pelo chef Kaiseki Ryori.
O menu é composto por nove momentos e varia consoante a frescura e disponibilidade dos produtos. A experiência acontece em dois momentos, às 13h e às 20h, e tem o valor de 160€ por pessoa.
Omakase Wa, Lisboa
Com apenas 10 lugares e escondido numa rua perto tranquila perto da Avenida da Liberdade, o Omakase Wa é um dos segredos mais bem guardados de Lisboa para quem leva o sushi a sério. A experiência começa ainda antes de entrar, com uma fachada discreta e um ambiente pensado para abrandar o ritmo e concentrar-se no essencial.
Inspirado na filosofia wabi-sabi (onde encontra-se a beleza na imperfeição) o espaço apresenta uma decoração que junta madeira, pedra e bronze num cenário intimista e calmo. No Omakase Wa, o sushi deixa de ser apenas uma refeição e transforma-se num verdadeiro ritual silencioso, concentrado e memorável.
Ao balcão, o chef executivo Ashik Yonjan conduz um menu composto por 15 momentos, onde o sushi e o sashimi são preparados à frente dos convidados, peça a peça.
O peixe servido é maioritariamente local e é complementado por cortes premium importados do Japão e técnicas tradicionais de conservação Edomae. Para quem quiser ir mais longe, há harmonizações de saquê japonês cuidadosamente selecionadas por um sommelier certificado. O menu custa 125€ por pessoa.
Yakuza by Olivier, Porto
O Yakuza, de Olivier da Costa, é um dos restaurantes japoneses mais concorridos de Portugal e um dos responsáveis por popularizar o conceito de omakase em Portugal. O grupo conta com mais quatro espaços, em Lisboa, em Cascais, no Algarve e em Tenerife. A proposta cruza oriente e ocidente, num ambiente cosmopolita e sofisticado, com uma abordagem contemporânea à cozinha japonesa.
Aqui, os clientes são convidados a deixarem-se guiar pelo chef num percurso que inclui sushi, sashimi e pratos quentes. O menu omakase muda todos os dias e cada peça é trabalhada com detalhe. Da ementa, destacam-se o Gunkan de Kobe, com Wagyu, foie gras, cebola confitada e teriyaki, ou o Kyuri Maki, com salmão, camarão, anchovas em folha de pepino doce. A carta inclui também criações grelhadas no binchotan, um carvão japonês tradicional, que atinge temperaturas extremas e que dá um sabor intenso. Este menu tem um valor de 98€ por pessoa.
Izakaya Dining Room, Porto
No Izakaya, a experiência gastronómica é uma verdadeira viagem à culinária japonesa sem sair do Porto. O espaço oferece apenas 12 lugares, entre a mesa e o balcão, num conceito onde cada detalhe, desde a arquitetura até à confeção dos pratos, contam.
Inspirado na tradição Edomae, não há rotações de mesa nem pressa. O menu muda consoante a inspiração do chef Rúben Mesquita e privilegia peixe da costa portuguesa, complementado por ingredientes importados do Japão.
Técnicas como dry‑aging são usadas para intensificar e recriar a ancestralidade dos sabores japoneses, estando disponíveis opções vegetarianas e para restrições alimentares, mediante aviso prévio.