Yokocho. Fomos conhecer o novo restaurante de ramen de Tiago Penão e já estamos a pensar numa segunda ida

Depois do Kappo e do Izakaya, Tiago Penão abre um novo restaurante dedicado a ramen de inspiração de Tóquio. A MAGG já foi conhecer o espaço e contamos-lhe tudo.

Divulgação

Não há dúvidas de que Lisboa já se rendeu ao ramen. Nos últimos anos, foram surgindo cada vez mais restaurantes dedicados a este prato japonês, mas Tiago Penão acredita que ainda há espaço para fazer melhor. É precisamente isso que o chef quer explorar no Yokocho Ramen, o novo seu restaurante da Praça das Flores, onde a taça de ramen é a verdadeira e única protagonista.

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Depois do Kappo e do Izakaya, Tiago Penão aposta agora num conceito mais especializado e descontraído. A ideia já andava a ser cozinhada há algum tempo, muito por culpa do gosto do chef por ramen, e chega agora a Lisboa com uma carta curta: quatro opções fixas e um ramen especial que muda todas as semanas.

“Lisboa foi invadida por ramen e há espaço para melhorar o ramen em Portugal“, começa por dizer Tiago Penão, em entrevista com os jornalistas, durante da visita ao Yokocho Ramen. O chef compara esta popularização do prato a outras tendências que invadiram o País, como restaurantes chineses, e acredita que esta é mais uma “onda” que se instalou em Portugal.

Perante este cenário, Tiago Penão acredita que há espaço para fazer melhor e diz ter uma simples missão. “O nosso objetivo maior é evangelizar as pessoas na religião do ramen. Que as pessoas quando se sentarem aqui para comerem o ramen digam que, afinal, nunca tinham comido ramen, como acontece muitas vezes quando as pessoas se sentam e dizem, ‘ok, afinal nunca tinha comido sushi’. E é a mesma coisa que queremos fazer”, conta.

Chef Tiago Penão.

Mas o que torna o ramen do Yokocho tão diferente?

O Yokocho é uma ramen-ya, ou seja, uma casa especializada em ramen, onde cada elemento da taça, do noodle ao caldo, do tare ao óleo aromático e aos toppings e massa, tem uma função e é precisamente esta conjugação de cinco elementos que faz um bom ramen. “Parece uma coisa muito simples no final, mas conjugar os cinco de uma maneira que funcione e que seja boa, tem muito que se lhe diga”, explica o chef.

No Yokocho, o ramen segue o estilo de Tóquio. O que é que isso quer dizer? “É a maneira como fazemos os caldos, a própria massa, são coisas que são mais mais elegantes e não tão brutas. Há zonas do Japão, onde aquilo é uma coisa muito intensa de sabor, é forte e picante, e em Tóquio é uma coisa mais clean e elegante”, detalha.

A carta é curta e é composta por quatro ramen fixos, entre eles o shoyu chintan (19,50€) e o shio chintan (19€), duas interpretações construídas a partir de chintan, um caldo japonês límpido feito de aves, um à base de soja e outro de sal, respetivamente. A MAGG provou o shoyu chintan, à base de soja, um clássico de Tóquio mais leve – e que delícia que foi, mas já lá vamos com mais detalhe. 

Se prefere algo com mais cor, tem de pedir o tori paitan (20€), que é um ramen com um caldo emulsionado de aves, um pouco mais cremoso e leitoso. Já o Tonkotsu (21€) é o único que não é originário de Tóquio, mas fazem-no numa versão mais adaptada a esta cidade, com carne de porco, sendo o mais robusta da carta. Há ainda uma quinta proposta de ramen em rotação semanal, sendo que a ideia é dar a conhecer ramens específicos de certas zonas do Japão.

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Como foi a nossa experiência?

Antes do ramen, começámos a nossa refeição por quatro entradas deliciosas. A primeira foi o nikuman (9€), uma bolinha de massa adocicada japonesa cremosa e gulosa, recheada com barriga de porco com caldo gelatinoso. Seguiu-se o karaage (10€) que é frango marinado com soja, gengibre e vinagre, e maionese que estava um petisco. Provámos ainda menma picante (6€) que são raízes de bambu cozinhadas em caldo de galinha e especiarias japonesas com uma textura muito interessante e diferente da que estamos habituados. Por fim, terminámos com um clássico que nunca falha: gyosas de porco (10€) que estavam deliciosas. Qual a nossa preferida? Sem dúvida que o nikuman e o karaage levam o ouro e a prata.

Depois das entradas, passámos para o momento mais aguardado da experiência, o ramen. Comemos o shoyu chintan (19,50€) com um caldo japonês límpido feito de aves e à base de soja, e podemos dizer que tem tudo o que um bom e reconfortante ramen pede: molho ótimo, massa cremosa, o clássico ovo ajitama delicioso, uma gyoza para complementar o prato e uma carne que estava no ponto perfeito. 

Por fim, comemos duas sobremesas. Começámos por uma versão de um beijinho, um doce com massa de mochi por fora, com recheio de leite condensado e coco, e um morango (6€), que revelou ser uma bomba de gulodice onde o sabor do leite condensado sobressaiu e que acabou por depois ser cortado com o da fruta. Provámos ainda o purin (6€), um pudim japonês mais leve e não tão doce, com mel por cima e com um toque de baunilha de Madagáscar, que deixou a nossa barriga a bater palminhas. A carta conta ainda com outra sobremesas, hakkaido (8€), um gelado artesanal do estilo sundae típico de Hokkaido, uma região conhecida pelos laticínios. O cone do gelado é feito de língua de gato.

Veja o que pode comer.

A nossa refeição foi acompanhada por sake que encaixou que nem uma luva – e devemos dizer que não éramos fãs desta bebida, algo que mudou com a ida ao Yokocho Ramen. O sake veio num copo dentro do masu de madeira, um recipiente quadrado tradicional japonês e que foi servido até transbordar. Este gesto pode parecer estranho à primeira vista, mas na realidade é um símbolo de hospitalidade para com os convidados, que simboliza prosperidade e votos de sorte para quem a recebe, servindo de sinal de respeito.

O veredicto? Ainda agora saímos do Yokocho Ramen e já estamos a pensar voltar. É um restaurante descontraído, que segue o estilo do Kappo e do Izakaya, e que é ideal para comer uma boa refeição de conforto que segue a tradição japonesa. Com cerca de 40 lugares, entre mesas e balcão, uma cozinha completamente aberta e uma sala inspirada na cultura urbana contemporânea japonesa, este é um espaço que conseguiu trazer um pouco de Tóquio para Lisboa.

O Yokocho Ramen está aberto de terça-feira a sábado, das 18h30 à meia-noite, sendo que no futuro também irá servir almoços a partir do meio-dia e estará aberto todos os dias. Na nossa visita ao Yokocho Ramen, Tiago Penão confirmou que irá abrir um novo restaurante no próximo ano e trará mais um conceito japonês. Mas antes disso, o chef vai viajar para o Japão, uma viagem que vai resultar juntamente num documentário.

Yokocho Ramen

Morada: Rua Manuel Bernardes 5B, 1200-250 Lisboa

Horário: De terça a sábado das 18h30 às 00h (domingo e segunda encerrado)

Contactos: 937 725 608 / Site / Instagram

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