Quim Barreiros cantou e encantou, e não precisou de mais do que alguns minutos para deixar claro ao que vinha: trazer o pimba, a música popular portuguesa e, sobretudo, a festa.
Se existiu uma forma perfeita de começar o último dia d’O Sol da Caparica, foi sem dúvida com uma sirene dos bombeiros e Quim Barreiros em cima do palco. Com a responsabilidade de começar o fecho do festival (uma vez que foi o primeiro artista a atuar no último dia), a verdade é que o cantor cantou e encantou, e não precisou de mais do que alguns minutos para deixar claro ao que vinha: trazer o pimba, a música popular portuguesa e, sobretudo, a festa.
O recinto não estava cheio, é verdade, mas isso esteve longe de significar falta de animação. À medida que “31 de Julho” começou a tocar, Quim Barreiros foi chamando cada vez mais pessoas para junto do palco e, aos poucos, o espaço foi ganhando outra vida. Houve saltos, palmas, casais a dançar, amigos a rodopiar e até comboios humanos a atravessar o recinto, porque uma coisa é certa: quando Quim Barreiros manda fazer algo, o público faz isso e muito mais.
Aliás, se há coisa que não falta num concerto de Quim Barreiros é conversa com todos os presentes. O artista passou grande parte do espetáculo a falar diretamente com quem estava à sua frente, a puxar pelo público e a transformar cada música numa espécie de conversa de café. “Mestre da Culinária” voltou a deixar tudo ao rubro, enquanto “O Sarapanca” arrancou gargalhadas e provou, mais uma vez, que o repertório de Quim Barreiros não precisa de grandes explicações. É pimba, é português e é para cantar sem vergonha.
E talvez seja essa uma das maiores forças de Quim Barreiros. Por uns minutos, não interessa a idade, de onde se vem ou quem se veio acompanhar ao festival, porque miúdos, adultos e pessoas mais velhas conseguem dançar, vibrar, rir e cantar todos juntos – numa daquelas raras ocasiões em que um palco consegue mesmo juntar várias gerações. E o momento do comboio, que foi crescendo pelo recinto fora, resumiu tudo: ninguém estava ali para levar o pimba demasiado a sério.
Esta atitude acabou por garantir uma quase promessa por parte de Quim Barreiros. Isto porque o artista afirmou que, “se Deus quiser”, estará novamente me cima do palco d’O Sol da Caparica já na próxima edição, e que o fará já com 80 anos. A sua frase arrecadou imensos aplausos por parte do público, com algumas caras mais novas admiradas de o cantor já ser quase octogenário. É sim, mas é também uma daquelas figuras que já fazem parte da própria banda sonora portuguesa.
Foi por isso mesmo que André Sardet proporcionou um dos momentos mais bonitos da tarde, ao surgir em palco para entregar a Quim Barreiros um bigode dourado pelos 55 anos de carreira. Entre homenagens, gargalhadas e muitas palmas, foi um daqueles momentos que mostrou que mais de 50 anos de carreira não tiraram a Quim Barreiros a vontade de estar em palco, de conversar com o público e, sobretudo, de continuar a fazer aquilo que sabe melhor.
A despedida fez-se, por fim, como tinha de ser: em festa. “A Garagem da Vizinha” fechou o concerto, acompanhada por refrões de várias outras músicas, num quase medley que deixou o público a cantar até ao último minuto. No final, fica apenas a ideia de que Quim Barreiros pode não ter enchido o recinto d’O Sol da Caparica, mas certamente encheu o espaço de gargalhadas, dança e boa disposição, e se aos 79 anos continua assim, estamos muito curiosos para ver o que vai acontecer quando chegar aos 80.






