A poção mágica da Netflix é só uma: quando algo corre bem, toca a fazer uma produção parecida ou até mesmo do mesmo universo para a maré de boa sorte continuar – e não nos queixamos, porque foi graças a esse pensamento que podemos continuar a entreter-nos com mais histórias de universos como "Bridgerton", "Squid Game" e "La Casa de Papel". E é precisamente este último que tem uma novidade a chegar, prometendo prender todos os fãs ao ecrã. Com um novo spin-off a estrear já esta sexta-feira, 15 de maio, o universo dos assaltos milionários continua.
Desta vez com Berlim, interpretado por Pedro Alonso, que já teve uma outra série também em seu nome na Netflix: "Berlim e as Joias de Paris". Nesta, o espectador ficou a conhecer um pouco mais sobre o passado do irmão do Professor (Álvaro Morte) antes de os dois se juntarem para assaltar o Banco de Espanha, ficando a conhecer também o grupo que Berlim conseguiu juntar para, lá está, roubar as joias de Paris. Agora, a história é um pouco diferente.
Com o mesmo grupo, constituído por Dámian (Tristán Ulloa), Roi (Julio Pena), Cameron (Begona Vargas), Bruce (Joel Sánchez) e Keila (Michelle Jenner), Berlim monta um novo plano mestre que começa com uma missão que recebem do Duque de Málaga (José Perez), e que promete um assalto em peras: o aristocrata quer a icónica obra de Leonardo da Vinci, A Dama com Arminho. Sevilha torna-se assim o cenário de fundo para o maior golpe da história, que quer ser tão brilhante quanto uma verdadeira obra de arte.
No entanto, nada é bem o que parece: o grupo vai não só não roubar a peça como vai, na verdade, roubar o próprio Duque de Málaga e a sua mulher, a Duquesa (Samantha Siqueiros), e tudo porque acharam que podiam chantagem Berlim – e mexer com o seu ego, pois nota-se claramente que o assalto só vai acontecer porque o protagonista se sentiu ofendido, e o que o casal não imagina é que acabou mesmo por despertar o lado mais sombrio e vingativo de Berlim.
O primeiro episódio ficou à altura das expectativas?
Podemos avançar já que são 55 minutos de puro entretenimento. Como já nos habituou – e bem – "La Casa de Papel" e "Berlim e as Joias de Paris", raramente existe um momento morto, sem ação a acontecer ou pelo menos sem uma frase feita e super introspectiva de Berlim, o que por si só já ilumina qualquer episódio. Foram 55 minutos em que o tempo passou a voar, e isso sente-se apenas naquelas séries que foram pensadas para o espectador e não para o cachê ao final do dia. Não está perfeita, atenção, mas está a caminho.
Dizemos isto porque algumas incongruências foram impossíveis de não notar, ainda que falamos em aspectos pequenos e nada que mude o rumo da história ou da narrativa que assumimos que vai acontecer. A mudança repentina do tempo por causa da cor do céu é um bom exemplo, onde, num minuto, apenas o ambiente passa das 16 horas para as 19h30.
Mas, lá está, são pequenos apontamentos. O primeiro episódio está cativante e fácil de acompanhar, até porque a Netflix decidiu dar um pequeno contexto de cada personagem antes de seguir para a nova história. Isto porque, se viu o primeiro spin-off com a personagem de Berlim, todos os elementos do grupo vão ser-lhe familiares, uma vez que são todos os mesmos – mas, uma vez que já se passaram alguns meses desde que tiveram juntos, é sempre bom colocarmo-nos a par de certos acontecimentos.
E outro destaque passa pelo quão suave foi a transição de Berlim No Assalto para Berlim na Paixão. Como já seria de esperar, já não nos tivesse habituado este protagonista, existirá algo amoroso com uma nova personagem deste universo, Candela (Inma Cuesta), e ela própria tem os seus demónios e contas a ajudar com amores passados. Berlim, como sempre, fica obcecado desde o primeiro instante, e a verdade é que o espectador obcecado fica, nem dando conta da mudança de narrativa a meio do episódio.
Além destes pormenores, não há grande coisa a acrescentar. Acreditamos que, assim como nas outras séries de "La Casa de Papel", a narrativa se vá moldando e vá aumentando gradualmente conforme se vão passando os episódios, porque a realidade é que este universo sempre foi feito de muito suspense, reviravoltas e narrativas inquietastes. É certamente uma série a não perder e, depois de vermos a fotografia e a edição do primeiro episódio, é bem provável que o resto seja devorado num só fim de semana.