"Lisbon Noir", uma coprodução da TVI e da Prime Video, chega ao público já esta segunda-feira, 13 de abril, com uma proposta, no mínimo, ambiciosa. Inspirada na figura histórica de Diogo Alves, conhecido como o primeiro assassino em série português (e o temido "assassino do Aqueduto das Águas Livres"), a produção mergulha numa narrativa sombria que promete explorar não apenas o crime, mas também as camadas psicológicas e sociais que o envolvem.
E se há um grande trunfo nesta série é, sem dúvida, o elenco, que reúne nomes portugueses e espanhóis de categoria – falamos de Pêpê Rapazote, Paulo Pires, Beatriz Godinho, Mina El Hammani, Luís Filipe Eusébio, e por aí fora. A história desenvolve-se à volta de um ambiente carregado de tensão e mistério, no qual estas diferentes personagens se cruzam, então, numa teia de segredos.
Mas qual é, afinal, a premissa de "Lisbon Noir"? Como explica a sinopse, a nova série arranca com a queda de um diplomata espanhol do topo do Aqueduto das Águas Livres, e a investigação da Polícia Judiciária, conduzida com a ajuda de uma inspetora espanhola, rapidamente revela um padrão perturbador. E mais: uma reviravolta inesperada muda o rumo de toda a investigação, que parece estar longe de terminar.
Ora, a MAGG já teve a oportunidade de ver o primeiro episódio desta nova produção, e uma coisa é certa: percebe-se rapidamente que "Lisbon Noir" aposta forte na construção de atmosfera. O tom sombrio é evidente desde os primeiros minutos, criando uma sensação constante de inquietação, e, como diz o nome, há uma clara inspiração no estilo "nordic noir", tão característico dos thrillers escandinavos.
No entanto, um dos grandes destaques vai, sem dúvida, para Pêpê Rapazote. Como já tem sido habitual na sua carreira, o ator português entrega sempre uma prestação absolutamente sólida, e esta sua personagem impõe-se não só pelo tom de voz grave e seguro, mas também pela postura e presença em cena. Além disso, é evidente que há um passado complexo por descobrir, o que o transforma num dos pilares mais intrigantes da série.
Aliás, essa sensação de que há sempre algo escondido e prestes a acontecer é uma constante ao longo do episódio, e esperamos mesmo que se mantenha até ao fim – só assim se torna num verdadeiro thriller noir. A narrativa parece construída em camadas, revelando apenas algumas pequenas pistas ao longo do percurso, e esse equilíbrio entre revelação e mistério foi o que mais nos prendeu.
Visualmente, a série também merece destaque, já que Lisboa surge retratada de forma particularmente bonita mas sem nunca perder o tom escuro que a história exige. Mesmo a grandiosidade do próprio Aqueduto das Águas Livres parece mais assustadora mas simples, ao mesmo tempo, fazendo da cidade uma personagem, mais do que um mero cenário.
Desta forma, para um episódio de estreia, "Lisbon Noir" conseguiu cumprir um dos objetivos mais importantes: agarrar o espectador logo desde muito cedo, mesmo tendo certas cenas que nos desfocassem um pouco da narrativa - confessamos que aquele jacuzzi não nos convenceu. Há um ritmo envolvente, uma construção de suspense eficaz e uma curiosidade crescente que se instala de forma muito natural, mais não seja pelo som.
No final, ficou uma vontade clara de continuar a ver a série, e perceber para onde vai a história evoluir. Com uma produção cuidada, um elenco forte e uma identidade visual bem definida, a MAGG acredita que "Lisbon Noir" se consegue afirmar como uma aposta sólida no género thriller em Portugal, pelo menos se continuar com o que fez no primeiro episódio nos restantes.