José Saramago, o autor que colocou Portugal no mapa dos grandes prémios literários, acaba de perder o seu lugar no programa de Português do 12º ano. Até este ano, as obras “O Memorial do Convento” e o “Ano da Morte de Ricardo Reis” eram leitura obrigatória para os alunos do 12º ano, porém houve uma alteração no programa curricular.
De acordo com o documento divulgado pelo governo, e citado pelo “Jornal de Notícias”, os professores de português do 12º ano terão de escolher entre um dos romances de José Saramago e outro do autor Mário de Carvalho, “Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde”, que integra agora a lista. O objetivo desta medida é abrir espaço para outros escritores e permitir que outras questões sejam abordadas em sala de aula.
“É para aumentar a diversidade, é para aumentar as temáticas possíveis. A obra de Mário de Carvalho trata uma questão que é muito atual, que tem que ver com toda uma decadência da sociedade, todo um pensamento do ser humano sobre uma sociedade que está em decadência, com todas as manifestações de populismo, de extremismos, com os perigos vários”, justifica Carla Marques, da Associação de Professores de Português, em declarações à RTP, citada pelo “Jornal de Notícias”.
Esta não é a única medida que o governo tenciona fazer no sistema de educação público. Além das alterações das leituras obrigatórias, o governo tenciona reestruturar o 1º e 2º ciclo fundindo-os num só de forma a suavizar a passagem do 4º para o 5º ano.