Depois das várias desistências de artistas nacionais, que não compactuam com os valores defendidos pelo humorista norte-americano, o festival idealizado por César Mourão quase foi cancelado. Agora, está na mesa a possibilidade de a organização processar quem cancelou a atuação.
O futuro do Commedia a La Carte Fest, novo festival internacional de humor de Lisboa, está em aberto. Depois de vários artistas portugueses terem desistido de participar no evento, a organização chegou a equacionar o cancelamento do festival, mantendo apenas a atuação de Jerry Seinfeld, a 1 de novembro, na MEO Arena. No entanto, uma reviravolta na segunda-feira, 8 de setembro, voltou a colocar em cima da mesa a possibilidade de manter o evento.
A informação é avançada pelo “Expresso”, que dá conta de que alguns artistas terão manifestado disponibilidade para atuar no lugar dos desistentes. A decisão, contudo, ainda não está fechada.
Segundo as fontes contactadas pelo jornal, a hipótese de cancelar o festival começou a ser discutida pelo menos desde sexta-feira, 4 de setembro. Nesse cenário, manter-se-ia apenas o espetáculo de Jerry Seinfeld, através da promotora internacional Last Tour.
A possibilidade de avançar com processos contra os artistas que cancelaram a participação também terá sido equacionada. O eventual cancelamento representaria prejuízos elevados, numa altura em que o festival já tinha sido anunciado e colocado à venda.
As divergências entre os organizadores — a Last Tour, a produtora nacional Aquele Abraço e César Mourão, mentor da iniciativa —, bem como a solidariedade demonstrada por alguns artistas para com o humorista português, terão contribuído para a possibilidade de manter o evento.
Jerry Seinfeld está no centro da polémica
A primeira edição do Commedia a La Carte Fest foi anunciada no final de abril e tinha Jerry Seinfeld como cabeça de cartaz internacional. O humorista norte-americano, conhecido pela série televisiva “Seinfeld”, foi apresentado como uma das grandes apostas do evento.
O espetáculo de Jerry Seinfeld, marcado para 1 de novembro, seria a sua estreia em Portugal e uma atuação exclusiva na Europa este ano. Os bilhetes foram anunciados com preços entre 89,84€ e 247,06€, havendo ainda opções para pessoas com mobilidade condicionada a 67,38€.
A participação do humorista tornou-se, entretanto, um dos pontos centrais da polémica. Jerry Seinfeld tem assumido publicamente posições de apoio a Israel, especialmente após os ataques de 7 de outubro de 2023, e tem feito declarações sobre o conflito entre Israel e Palestina que geraram críticas.
Inês Aires Pereira e Cebola Mol estão entre os artistas que desistiram
Cerca de quatro meses depois do anúncio do festival, vários artistas portugueses que tinham confirmado a presença decidiram abandonar o cartaz.
Entre os nomes que cancelaram a participação estão Inês Aires Pereira, Cebola Mol (Eduardo Madeira e Filipe Homem da Fonseca), Pedro Tochas, Cuca Monga, Vhils (Alexandre Farto), Carolina Deslandes, Bárbara Tinoco e Tatanka, que tinham previsto apresentar o espetáculo Tributo Pop.
Nem todos divulgaram os motivos das desistências. Inês Aires Pereira, porém, foi explícita numa publicação no Instagram. “Um festival inclui muitos artistas e neste caso um dos nomes defende insistentemente ideias e atos que considero indefensáveis”, escreveu a humorista. “Não podemos relativizar ou normalizar um genocídio. Assim sendo, tomei a difícil decisão de cancelar a minha presença no festival.”
Também os Cebola Mol se manifestaram através das redes sociais, com uma publicação que incluía uma imagem de uma melancia, símbolo associado à causa palestiniana. “Celebraremos justiça, liberdade e alegria numa próxima oportunidade”, escreveram.
De acordo com as informações disponíveis, os bilhetes já comprados para os espetáculos cancelados serão reembolsados. Para já, não há uma decisão definitiva sobre o futuro do festival.
