Todos os dias enfrentamos pequenos e grandes desafios que nos testam: a pressão no trabalho, o cansaço que não passa, a dificuldade em dizer "não", a sensação de que nunca somos suficientes. Estes são sentimentos universais, que todos nós enfrentamos de vez em quando e não sabemos bem como lidar com eles, caindo no buraco escuro da frustração. No entanto, é precisamente a partir destas situações universais que nasce "A Minha Terapia Diária", o primeiro livro da psicóloga clínica Débora Bento Correia.

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Mais do que conselhos teóricos, o livro, que chegou às livrarias pela editora Contraponto no mês de janeiro, quer funcionar como um verdadeiro "terapeuta de bolso", oferecendo estratégias e exercícios simples para lidar com o stress, a baixa autoestima, as relações complicadas e a vida em piloto automático - ou seja, conta com ferramentas que nos ajudam a parar, refletir e escolher como reagir, mesmo nos dias mais difíceis. É, tantas vezes, a única coisa que precisamos para tornar um dia mau num dia melhor.

"Ao longo dos anos de prática clínica comecei a perceber que muitos dos temas que surgiam em consulta eram, no fundo, desafios muito universais: dificuldade em colocar limites, excesso de culpa, baixa autoestima, cansaço emocional, viver em piloto automático. Sentia muitas vezes que estas pessoas só chegavam à terapia quando já estavam num ponto de grande desgaste. O livro nasce dessa vontade de chegar mais cedo, de oferecer ferramentas antes da exaustão", começou por dizer a psicóloga clínica à MAGG.

Desta forma, o grande objetivo do novo livro é dar a entender que os problemas vão sempre existir, nós é que precisamos de aprender a lidar com eles. "Vivemos numa cultura que ainda 'vende' muito a ideia de que estar bem é não ter problemas. Isso cria frustração, culpa e uma sensação constante de falhanço. A verdade é que os problemas fazem parte da vida. O que faz a diferença não é evitá-los, mas a forma como nos relacionamos com eles. Quando aprendemos estratégias, deixamos de viver em luta constante", disse.

E quando é que chega a altura em que percebemos que precisamos mesmo de parar e de cuidar da nossa saúde emocional? Como diz aquela frase viral, existirão sinais - e Débora Bento Correia enumera alguns deles. "Os sinais costumam ser subtis no início: irritabilidade constante, sensação de cansaço mesmo após descansar, dificuldade em sentir prazer, impaciência com os outros, sensação de estar sempre a 'aguentar'. Quando a vida começa a ser vivida apenas em modo sobrevivência, sem espaço para sentir ou refletir, é um sinal claro de alerta".

Dicas práticas para aprender a lidar com situações frustrantes

Desafio de não saber dizer "não". "Dizer 'não' ativa muitos medos: medo de desiludir, de ser rejeitado, de parecer egoísta. Muitas pessoas aprenderam desde cedo que agradar, dizer 'sim', era uma forma de garantir aceitação. O treino começa com pequenos 'nãos', em contextos de menor risco. Começa também por mudar a narrativa interna: dizer 'não' ao outro é, muitas vezes, dizer 'sim' a si próprio. No livro trabalho muito esta ideia de limites como um ato de autocuidado, não de egoísmo".

Um exercício para começar já. "Um exercício muito simples é o 'check-in emocional diário'. Parar dois minutos por dia e perguntar a si próprio: o que estou a sentir agora? o que preciso neste momento? Sem julgar, sem tentar resolver tudo. Só reconhecer. Este pequeno gesto, feito de forma consistente, aumenta muito a consciência emocional e reduz o funcionamento em piloto automático".

O que fazer quando a baixa autoestima está mais alta. "Um exercício essencial é aprender a identificar a voz autocrítica. Muitas pessoas confundem pensamentos com verdades absolutas. No livro proponho exercícios de registo desses pensamentos e de construção de uma voz interna alternativa, mais realista e compassiva. A autoestima não se constrói com frases positivas forçadas, mas com uma relação interna menos agressiva e mais justa".

Como integrar momentos de pausa e reflexão na rotina. "A ideia não é criar mais tarefas, mas mudar a forma como usamos os pequenos momentos do dia. Uma pausa consciente antes de responder a uma mensagem, três respirações profundas antes de uma reunião, um minuto de silêncio no carro. Cuidar da saúde emocional não exige grandes rituais, exige intenção".

A terapia pode começar aqui

Mas mais do que simples exercícios ou estratégias, "A Minha Terapia Diária" assume-se como uma ferramenta de cuidado emocional para todos. “Livros como este tornam o conhecimento psicológico mais acessível e menos distante. Desde o início, a minha intenção foi escrever de forma clara, para que qualquer pessoa se pudesse reconhecer e compreender o que está a ler. Não queria um livro técnico, reservado a profissionais, mas humanizado, que acolhesse quem lê, sem perder rigor", explicou Débora Bento Correia.

Ou seja, o objetivo aqui é que o leitor perceba que cuidar da saúde emocional é tão importante quanto cuidar da saúde física, e que, mesmo sem acompanhamento terapêutico constante, é possível criar momentos de pausa, reflexão e autocuidado no dia a dia. Até porque, para quem nunca fez terapia, o livro pode ser um ponto de partida valioso. "O livro não substitui a terapia, mas pode ser uma porta de entrada muito importante. Ajuda a reconhecer padrões, a dar nome ao que se sente e a perceber que aquilo que se vive tem explicação psicológica".

"Muitas vezes, ajuda a diminuir o medo e o estigma associados à terapia e facilita o pedido de ajuda quando necessário", acrescentou a psicóloga. Assim, com exercícios simples, desde o "check-in emocional diário" até o trabalho da voz interna crítica, cada leitor pode vir a aprender a observar os seus pensamentos e sentimentos com mais clareza e compaixão. Em dias mais caóticos, quando a vida parece correr em piloto automático, o livro lembra que pequenos gestos de atenção podem mesmo fazer diferença.