Já chegou ao mercado português um dos considerados melhores livros do ano. “O Que Podemos Saber”, de Ian McEwan, está a ser considerado um dos textos mais maduros do autor pela crítica norte-americana, nomeadamente pelo “The New York Times”, e promete ser capaz de unir intimidade, mistério e reflexão filosófica ao mesmo tempo que capta o leitor com a sua escrita precisa e inquietante que salta entre tempos distintos - tão bom não só para oferecer neste Natal como também para se mimar a si próprio.
A história começa em 2014, num jantar aparentemente banal entre amigos e colegas, onde o conceituado poeta Francis Blundy presta homenagem à sua mulher, Vivien, lendo um novo poema escrito para ela: Uma Coroa para Vivien. O momento é íntimo, mas ganha contornos inesperados quando o poema nunca mais é encontrado, e, sem qualquer outro registo, aquelas palavras passaram a existir apenas na memória de quem estava presente no jantar, dando início a décadas de especulação sobre o seu verdadeiro significado.
Mais de um século depois, em 2119, o mundo mudou drasticamente. Grande parte do Ocidente está submersa após uma catástrofe nuclear e a subida do nível do mar, e os sobreviventes vivem rodeados pelos vestígios de uma civilização desaparecida. É neste cenário que Thomas Metcalfe, um investigador solitário, se dedica a estudar os arquivos do início do século XXI, e fascinado por uma época que lhe parece imprudente e vibrante, Thomas vê nesse passado uma liberdade que já não conhece.
Desta forma, a obsessão de Thomas pelo poema perdido, que soube através das suas pesquisas leva o investigador a seguir uma pista que promete finalmente revelar Uma Coroa para Vivien. No entanto, o que começa como uma investigação literária transforma-se numa descoberta muito mais profunda, e à medida que mergulha na vida de Francis e Vivien, Thomas desvenda uma teia de amores cruzados, segredos escondidos e um crime brutal que altera por completo a sua perceção destas figuras históricas.
Desta forma, "O Que Podemos Saber" acaba por se revelar muito mais do que um romance sobre um poema desaparecido, e sim uma história sobre memória, legado e palavras que ficam muito tempo depois de as pessoas morrerem. Com uma estrutura mesmo à detetive e um olhar atento sobre a catástrofe, esta promete ser uma obra inquietante, bela e profundamente atual publicada pela Editora Gravida, que já está disponível por 18,40€.