Foi no dia 21 de maio que chegou às livrarias portuguesas um novo thriller psicológico que tem tudo para ser a sua próxima leitura viciante - e a MAGG pode mesmo confirmá-lo, uma vez que lemos tudo no espaço de dois dias. “No Jacuzzi com uma Serial Killer” é a mais recente obra de Tiffany Vilela, escritora portuguesa a residir na Irlanda, e entre traumas infantis, obsessões perigosas e o constante jogo do gato e do rato, é sem dúvida uma novidade a não perder. 

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Quando tive a ideia desta história estava literalmente dentro de um jacuzzi. Estava com a minha mãe, e, de repente, anotei no telemóvel o título provisório”, começou por dizer a autora à MAGG. “Na altura falava-se muito da Frida McFadden, e apesar de eu não ser grande consumidora de séries de crime, acabo sempre por ver documentários e coisas do género. Foi uma mistura de tudo, do que estava em tendência e daquela ideia guardada no telemóvel”, disse. 

Ora, acreditamos que pelo título dá para perceber do que se trata a obra, mas aqui fica uma explicação: “No Jacuzzi com uma Serial Killer” fala sobre uma jovem aparentemente banal, com um emprego estável em Lisboa e as contas pagas. No entanto, por trás de toda a normalidade esconde-se uma mente meticulosa e assassina, que escolhe as vítimas segundo a sua data de nascimento. 

“A serial killer, por estranho que pareça, tem um bocadinho de mim - eu sou muito ansiosa. Fui-me baseando na minha personalidade, mas acrescentando traços necessários para a personagem, pois ela tinha de ser controlada, metódica. Mas não foi tudo linear, acho que fui ‘apertando’ a personagem ao longo do processo. E sinto isso: do meio do livro para a frente ela desenvolve-se mais”, explicou Tiffany Vilela, que promete uma protagonista bem calculista.

E protagonista essa que faz parte quase de um culto secreto, uma vez que é uma das participantes de um fórum online anónimo frequentado apenas por assassinos em série. Ali, a morte deixa de ser o horror habitual para pessoas comuns, e passa a ser um momento de estratégia, partilha e competição para ver quem faz melhor. “O fórum vem um bocadinho das minhas vivências”, disse a autora - mas calma, não vivências de serial killer. 

“Quando era adolescente, frequentava muito um site chamado IOU, onde falávamos com desconhecidos, escolhíamos nicknames, e havia até uma espécie de ‘guru’ com poder de expulsar pessoas. Acho que isso influenciou muito o livro, até o conceito de ranking vem daí”, continuou. Este é um site que vai ser crucial para todo o livro, onde a protagonista acaba por fazer amizade com alguém do outro lado com quem trocar ideias e conceitos. 

No entanto, ela não é psicopata só porque sim. Traumas fizeram com que a protagonista se tornasse tão metódica quanto ansiosa, e existem explicações não só para o método da escolha da vítima como para o porquê de usar um jacuzzi - e tudo por causa da violência da mãe para com o pai. Normalmente a mulher é a vítima, e quis inverter isso. Também quis evitar excesso de violência explícita, e por isso criei uma infância marcada por violência psicológica e emocional”. 

Mas nem tudo é mórbido: um detalhe engraçado em “No Jacuzzi com uma Serial Killer” é o facto de a protagonista ter um animal de estimação, e este ser nada mais nada menos que um dragão barbudo (que tem um destaque especial no final da obra). Escolhi um dragão barbudo por ser um animal frio, um réptil. Fazia sentido com a personalidade dela, ela é fria e calculista e por isso não faria sentido ter um animal fofo como um cão ou um gato”.

Assim, a nova obra de Tiffany Vilela promete explorar os limites entre o trauma infantil, o narcisismo e a necessidade de controlo, numa narrativa marcada por um humor negro corrosivo onde existe a crença de que matar também é uma forma de amor. Os plot twists são inquietantes e os pensamentos sinistros, e é tudo isso que faz de “No Jacuzzi com uma Serial Killer” uma obra a não perder. Publicado pela Saída de Emergência, está disponível por 15,93€. 

E se quiser estar um pouco com a autora para falar sobre a nova obra, saiba que Tiffany Vilela vai estar presente na Feira do Livro de Lisboa já esta quinta-feira, 4 de junho. Às 16 horas está prevista a apresentação do livro na Praça Azul, e às 17 horas a autora vai estar no pavilhão da Saída de Emergência a fazer a sua sessão de autógrafos.